terça-feira, 29 de setembro de 2026

DA ESCRAVIDÃO AO RECOMEÇO



              A BIBA




Versículo-chave

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”
— João 7:24

 



INTRODUÇÃO


Antes de julgarmos uma pessoa pela vida que leva hoje, talvez devêssemos perguntar: o que aconteceu para que ela chegasse até aqui?

Esta é a história de Biba.

Aos 28 anos, Biba é mãe de quatro filhos e vive na cidade de Mocuba, na província da Zambézia. Para muitas pessoas, ela é simplesmente uma mulher que trabalha como prostituta.

Alguns olham para a sua roupa. Outros para os lugares que frequenta. Outros para as escolhas que fez.

Poucos, porém, conhecem a menina que existiu antes daquela mulher.

Poucos sabem das perguntas que ficaram sem resposta, das feridas que começaram ainda na infância, da ausência de um pai, da falta de afecto, das relações que trouxeram mais dor do que segurança e das responsabilidades que, pouco a pouco, foram tornando a sobrevivência mais urgente do que os sonhos.

Esta história não foi escrita para justificar escolhas erradas.

Também não foi escrita para condenar Biba.

Foi escrita para mostrar que, por detrás de muitas histórias que julgamos rapidamente, existe uma história que não conhecemos.

Porque, às vezes, antes de perguntarmos:

“O que essa pessoa fez?”

precisamos perguntar:

“O que aconteceu com essa pessoa?”

A história de Biba fala de dor, escolhas, consequências, maternidade, sobrevivência, julgamento, fé, perdão e transformação.

Mas, acima de tudo, fala de uma possibilidade:

o recomeço.

Porque o passado pode explicar muitas coisas, mas não precisa necessariamente escrever a última página da nossa história.




CAPÍTULO 1


ANTES DE BIBA NASCER


Antes da Biba nascer existia uma jovem mulher cheia de sonhos.

Quando a mãe da Biba era jovem, tinha planos para a sua vida e acreditava que o futuro poderia ser promissor. Como tantas outras jovens, sonhava estudar, construir uma carreira, ter uma família e viver dias melhores.

Foi nesse período que conheceu um rapaz.

O relacionamento começou como muitos outros começam: com proximidade, confiança, sentimentos e expectativas.

Mas aquela relação trouxe uma consequência que mudaria completamente a sua vida.

Ela engravidou.

A gravidez não fazia parte dos seus planos naquele momento. E, para piorar, o rapaz não assumiu a responsabilidade pela criança que estava a caminho.

De repente, os sonhos daquela jovem pareciam ter sido interrompidos.

Os estudos ficaram comprometidos. Os planos precisaram ser adiados. E, juntamente com a gravidez, veio o peso da rejeição.

Ela começou a enfrentar perguntas, críticas e olhares.

Como lidaria com aquela situação?

Como criaria uma criança sozinha?

Como continuaria a estudar?

Como reconstruiria os seus sonhos?

Em meio ao desespero, tomou uma decisão que hoje carregaria consigo como uma das partes mais dolorosas da sua história.

Tentou interromper a gravidez.

Mas não conseguiu.

A vida que estava dentro dela permaneceu.

E Biba nasceu.

Ela chegou ao mundo sem saber que, antes mesmo de respirar pela primeira vez, já existia uma história complicada ao seu redor.

Não tinha escolhido nascer.

Não tinha escolhido a ausência do pai.

Não tinha escolhido as dificuldades da mãe.

Não tinha escolhido as circunstâncias que marcaram os seus primeiros dias.

Ela simplesmente nasceu.


E talvez esta seja uma das primeiras verdades que precisamos compreender sobre qualquer ser humano:

uma criança nunca deve carregar a culpa pelas circunstâncias que antecederam o seu nascimento.

A mãe de Biba também sofreu.

Ser uma jovem mãe solteira trouxe-lhe rejeição, frustração e sonhos interrompidos. E uma pessoa ferida nem sempre consegue oferecer aos outros o amor que gostaria de oferecer.

Foi assim que, sem perceber, a dor da mãe começou a alcançar a filha.

Biba cresceu dentro de uma realidade que não compreendia completamente.

Ainda era pequena demais para entender os problemas dos adultos.

Mas crianças percebem quando são desejadas.

Percebem quando são acolhidas.

E também percebem quando existe distância.

Talvez Biba não soubesse explicar o que sentia.

Mas alguma coisa dentro dela começava a perguntar:


“Por que eu não recebo o amor que preciso?”

A resposta para essa pergunta demoraria muitos anos para aparecer.


“Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no ventre de minha mãe.”
— Salmos 139:13

 

Biba não era um acidente aos olhos de Deus.

Mesmo quando os seres humanos não conseguem compreender uma história, Deus continua a conhecer a vida desde o princípio.

E aquela criança, que começou a vida cercada por rejeição e incerteza, ainda teria muitas páginas para viver.

Mas as primeiras marcas já estavam a ser formadas.




CAPÍTULO 2


UMA INFÂNCIA SEM O AMOR QUE PRECISAVA


Biba cresceu.

A infância deveria ser um lugar de segurança, carinho e descoberta.

Mas nem sempre foi assim.

A sua mãe carregava as próprias feridas. Tinha perdido oportunidades, enfrentado rejeição e precisado reconstruir a vida depois de uma gravidez que não fazia parte dos seus planos.

E, embora Biba não tivesse culpa de nada disso, acabou crescendo no meio das consequências.

Havia momentos em que a mãe cuidava dela.

Mas havia também momentos em que Biba sentia falta de algo que não sabia nomear.

Faltava-lhe aquela certeza interior de que era amada.

Ela observava outras crianças e, algumas vezes, perguntava-se por que a sua realidade parecia diferente.


Enquanto crescia, uma pergunta silenciosa começou a acompanhá-la:

“Será que alguém realmente me ama?”

Quando uma criança cresce sem receber a confirmação de que é importante, pode passar muitos anos procurando essa confirmação nos lugares errados.

Biba ainda não sabia disso.

Ela apenas queria sentir-se escolhida.

Queria sentir que alguém permaneceria.


Queria ouvir palavras que lhe dissessem:

“Tu és importante.”

Mas aquilo que não recebeu dentro de casa começaria, mais tarde, a procurar fora dela.

E essa procura influenciaria muitas das suas escolhas.

“Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá.”
— Salmos 27:10

Talvez Biba ainda não conhecesse profundamente essa verdade.

Mas Deus já conhecia a menina que procurava amor.

E a história dela ainda estava apenas a começar.




CAPÍTULO 3


A AUSÊNCIA DO PAI


A ausência do pai foi uma das marcas mais profundas da infância de Biba.

Não era apenas a falta de uma pessoa dentro de casa.

Era a ausência de uma presença que ela desejava conhecer.

Havia perguntas que nunca receberam respostas.

Quem era ele?

Por que não ficou com a sua mãe ?

Porque nunca a procurou?

Será que algum dia pensou nela?

Será que ela era importante para ele?

À medida que Biba crescia, essas perguntas também cresciam.

Uma criança pode aprender a viver sem aquilo que não tem, mas isso não significa que a ausência não deixe marcas.

Biba aprendeu a seguir em frente.

Mas, dentro dela, continuava existindo um espaço que desejava ser preenchido.

E, mais tarde, quando começou a relacionar-se com homens, talvez não estivesse apenas à procura de um companheiro.

Talvez procurasse também, sem perceber, a sensação de segurança e aceitação que lhe faltara.

Queria alguém que ficasse.

Alguém que dissesse:

“Eu estou aqui.”

Mas nem sempre encontrou isso.

Algumas relações trouxeram decepções.

Outras trouxeram abandono.

E algumas deixaram feridas ainda mais profundas.

A ausência do pai não determinava quem Biba seria.


Mas influenciou a forma como ela passou a olhar para o amor, para o abandono e para o seu próprio valor.

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus, no seu lugar santo.”
— Salmos 68:5

A ausência humana não significa ausência de Deus.

Mas Biba ainda precisaria de tempo para descobrir isso.




CAPÍTULO 4


OS RELACIONAMENTOS


Biba queria ser amada.

Queria ter alguém ao seu lado.

Queria sentir que finalmente pertencia a uma família onde houvesse segurança e permanência.

Por isso, os relacionamentos passaram a ocupar um espaço importante na sua vida.

Ela acreditava que talvez, através de uma relação, encontrasse aquilo que sempre procurara.

Mas algumas das pessoas em quem depositou confiança acabaram por feri-la.

Vieram decepções.

Vieram traições.

Vieram momentos de violência.

Vieram promessas que não foram cumpridas.

E, depois de cada partida, permanecia a mesma pergunta:

“O que há de errado comigo?”

Quando alguém nos abandona repetidamente, podemos começar a acreditar que o problema está no nosso próprio valor.

Biba começou a carregar essa sensação.

Ela queria amor, mas encontrava instabilidade.

Queria segurança, mas encontrava medo.

Queria uma família, mas encontrava relações que não permaneciam.

E, com o passar do tempo, a situação tornou-se ainda mais complexa.

Biba tornou-se mãe.

Agora já não estava apenas a lutar pelas próprias necessidades.

Existiam outras vidas que dependiam dela.

E algumas necessidades não podiam esperar.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
— Provérbios 4:23

Mas como guardar um coração que já tinha sido ferido tantas vezes?

Biba ainda precisaria aprender isso.

E a próxima fase da sua vida traria uma responsabilidade ainda maior.




CAPÍTULO 5


OS FILHOS


Biba tornou-se mãe de quatro filhos.

Cada criança trouxe consigo uma nova responsabilidade, mas também uma razão para continuar.

A maternidade não lhe trouxe apenas momentos de alegria.

Trouxe também preocupações.

Havia alimentação.

Havia roupa.

Havia educação.

Havia cuidados.

Havia protecção.

Havia tantas necessidades que, muitas vezes, pareciam maiores do que os recursos disponíveis.

Os relacionamentos não lhe tinham proporcionado a estabilidade que esperava. Alguns homens partiram, mas as responsabilidades permaneceram.

Os filhos continuavam a precisar dela.

E Biba precisava encontrar uma forma de continuar.

Ser mãe significava que não podia simplesmente desistir.

Mesmo cansada, precisava levantar-se.

Mesmo sem respostas, precisava procurar soluções.

Mesmo ferida, precisava continuar.

A maternidade tornou-se uma das maiores responsabilidades da sua vida.

Mas, ao mesmo tempo, as necessidades foram crescendo e as possibilidades diminuindo.

E chegou um momento em que Biba precisou tomar decisões difíceis para conseguir dinheiro.

Foi nesse contexto que a sobrevivência começou a falar mais alto.

“Eis que os filhos são herança do Senhor.”
— Salmos 127:3

Biba ainda cometeria escolhas que trariam consequências.

Mas, antes de julgarmos essas escolhas, precisamos conhecer o caminho que a levou até elas.




CAPÍTULO 6


QUANDO A SOBREVIVÊNCIA FALOU MAIS ALTO


As necessidades não paravam.

Biba precisava de dinheiro.

As responsabilidades aumentavam e as oportunidades pareciam cada vez mais limitadas.

Foi nesse contexto que começou a prostituir-se.

No início, aquilo podia parecer apenas uma forma de conseguir dinheiro.

Uma solução para uma necessidade imediata.

Mas aquilo que começa como uma tentativa de sobrevivência pode, com o tempo, transformar-se numa rotina.

E a rotina pode começar a parecer uma identidade.

Biba passou a conviver com olhares, comentários e julgamentos.

Algumas pessoas viam apenas a mulher que se prostituía.

Mas por trás daquela mulher existia uma história.

Existia uma infância marcada por carência.

Existia a ausência de um pai.

Existiam relações dolorosas.

Existiam responsabilidades.

Existiam escolhas.

E existiam consequências.

Isso não significa dizer que todas as suas escolhas estavam certas.

Significa reconhecer que as escolhas humanas acontecem dentro de histórias concretas.

Biba havia chegado a um lugar que talvez, anos antes, jamais tivesse imaginado.

E agora precisava aprender a viver dentro daquela realidade.




CAPÍTULO 7


A ROTINA DE BIBA


Todos os dias tinham praticamente o mesmo começo.

Biba saía e dirigia-se para uma zona próxima de restaurantes e bares, onde procurava clientes.

À volta do meio-dia, o movimento começava a aumentar.

Alguns homens apareciam sozinhos.

Outros chegavam acompanhados.

Alguns demonstravam interesse imediatamente.

Outros simplesmente passavam.

Havia dias em que conseguia vários clientes.

Havia dias em que conseguia apenas alguns.

E havia dias em que não conseguia nenhum.

Mas mesmo quando não havia dinheiro, as necessidades continuavam.

O dia terminava, mas as preocupações não.

Biba precisava continuar a procurar uma maneira de sustentar a casa.

Foi assim que aquela rotina se tornou parte da sua vida.

Até que, num determinado dia, algo aconteceu.

Um homem que já a conhecia aproximou-se.

Biba pensou que ele fosse mais um cliente.

Mas aquele encontro seria diferente.

Muito diferente.




CAPÍTULO 8


O ENCONTRO QUE A FEZ FALAR


Naquele dia, Biba estava cansada.

Precisava de dinheiro e esperava conseguir algum cliente.

Foi então que viu aquele homem aproximar-se.

Ela já o conhecia.

Por isso, quando ele se aproximou, imaginou que sabia o motivo.

Depois de conversarem, Biba levou-o consigo.

Quando ele perguntou o preço, ela respondeu.

Precisava daquele dinheiro.

Precisava inclusive de comprar comida.

Mas, inesperadamente, o homem disse:

— Eu não vim aqui para aquilo que estás a pensar.

Biba ficou confusa.

— Então vieste fazer o quê?

Ele respondeu que queria conversar com ela.

Queria ajudá-la.

Queria mostrar-lhe que a vida podia ser diferente.

Falou-lhe sobre Deus.

Falou-lhe sobre dignidade.

Falou-lhe sobre a possibilidade de recomeçar.

Biba não estava preparada para ouvir aquilo.

Durante muito tempo, as pessoas tinham olhado para ela como uma profissão.

Aquele homem estava a olhar para ela como pessoa.

E, pela primeira vez em muito tempo, Biba sentiu que alguém queria ouvir a sua história antes de condená -la.

Os olhos encheram-se de lágrimas.

— Tu não sabes a minha história — disse ela.

Ele respondeu:

— Então conta-me.

E Biba começou a falar.

Naquele momento, uma porta foi aberta.

Não era a porta de um quarto.

Era a porta da sua história.




CAPÍTULO 9


A CONFISSÃO DE BIBA


Biba respirou fundo.

Durante anos, tinha aprendido a esconder muita coisa.

Mas naquele momento sentiu que podia falar.

Contou sobre a infância.

Falou da ausência do pai.

Falou da relação difícil com a mãe.

Falou dos relacionamentos que não deram certo.

Falou das traições.

Falou da violência.

Falou dos homens que partiram.

Falou dos filhos.

Falou das dificuldades.

E falou da prostituição.

Não tentou apresentar-se como vítima perfeita.

Também reconheceu que tinha feito escolhas.

Mas explicou que muitas dessas escolhas aconteceram quando se sentia sem alternativas.

— Eu estou cansada — disse.

O homem permaneceu em silêncio.

Ela continuou:

— As pessoas olham para mim e acham que conhecem a minha vida. Mas ninguém sabe o que eu vivi.

Naquele dia, Biba percebeu uma coisa importante:

ser ouvida pode ser o início de uma mudança.


Ela ainda não sabia como mudaria.

Ainda não sabia se conseguiria.

Mas, pela primeira vez, começou a imaginar que talvez existisse outro caminho.


“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
— 1 Pedro 5:7

 

A história que Biba escondia começava finalmente a ser colocada diante de alguém.

E, depois de contar a sua história, surgiu uma pergunta:

Quem era, afinal, a mulher por trás daquela profissão?




CAPÍTULO 10


A MULHER POR TRÁS DA PROSTITUTA


Antes de ser prostituta, Biba tinha sido uma criança.

Antes de ser mãe, tinha sido filha.

Antes de aprender a sobreviver, tinha sido uma menina que precisava de amor.

Antes de usar o corpo para ganhar dinheiro, tinha aprendido a lidar com feridas emocionais.

Isso não apaga as escolhas que fez.

Mas ajuda a compreender a pessoa por trás delas.

Biba não era apenas aquilo que fazia.

Era também aquilo que tinha vivido.

Era uma mulher marcada por experiências difíceis, mas ainda capaz de escolher novos caminhos.

Compreender a história de alguém não significa aprovar todas as suas decisões.

Significa reconhecer que seres humanos são mais complexos do que os rótulos que colocamos sobre eles.

Foi por isso que aquele encontro começou a produzir uma pergunta dentro dela:


“Será que ainda posso tornar-me uma pessoa diferente?”

Talvez essa fosse a primeira pergunta de um novo capítulo.

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”
— João 7:24

Biba ainda tinha muito a enfrentar.

E uma das maiores preocupações dizia respeito aos seus filhos.




CAPÍTULO 11


E OS FILHOS DE BIBA?


Até aqui, conhecemos a história de Biba.

Mas existe uma parte da história que não pode ser ignorada:

as crianças que cresceram ao lado dela.

Os filhos de Biba não escolheram as circunstâncias em que nasceram.

Não escolheram as dificuldades económicas.

Não escolheram os relacionamentos dos pais.

Não escolheram os julgamentos da sociedade.

E não escolheram o passado da mãe.

Ainda assim, cresceram dentro dessa realidade.

Uma criança precisa de alimento, educação, protecção e afecto.

Precisa também de oportunidades para construir o próprio futuro.

As dificuldades vividas dentro de uma família podem deixar marcas.

Mas uma história difícil não precisa determinar para sempre a história de uma nova geração.

Ciclos podem ser interrompidos.

Feridas podem ser tratadas.

Padrões podem ser quebrados.

E Biba ainda podia fazer escolhas diferentes.

Não podia apagar o passado.

Mas podia procurar ajuda.

Podia buscar novas oportunidades.

Podia aprender novas formas de educar.

Podia ensinar aos filhos valores diferentes.

Podia mostrar-lhes que dificuldades não determinam quem eles serão.


Um dia, talvez os seus filhos olhassem para trás e perguntassem:

“Que mulher foi a nossa mãe?”

A resposta não precisaria ser apenas sobre aquilo que ela tinha sido.

Poderia também falar sobre aquilo em que ela se tornou.

“Eis que os filhos são herança do Senhor.”
— Salmos 127:3

A mudança de Biba não seria apenas sobre ela.

Poderia alcançar a geração que vinha depois dela.




CAPÍTULO 12


UM NOVO CAPÍTULO


Depois daquele encontro, Biba começou a pensar de maneira diferente.

Talvez a vida pudesse mudar.

Talvez existisse uma oportunidade.

Talvez Deus ainda tivesse algo para fazer na sua história.

Mas pensar diferente não era suficiente.

Ela precisaria tomar decisões diferentes.

Precisaria enfrentar os próprios medos.

Precisaria procurar oportunidades.

Precisaria reconstruir a sua vida pouco a pouco.

O homem que conversara com ela não prometeu que seria fácil.

Também não disse que as pessoas esqueceriam imediatamente o passado.

Disse apenas que um novo caminho podia começar.

Biba tinha 28 anos.

Ainda havia muito que aprender.

Ainda havia muito que reconstruir.


Mas também havia tempo para escrever novas páginas.


“Eis que faço uma coisa nova; agora sairá à luz.”
— Isaías 43:19

 

Biba começou a compreender que recomeçar não significa fingir que o passado nunca aconteceu.

Significa decidir que o passado não terá a última palavra.

Mas logo descobriria que querer mudar e conseguir que os outros acreditassem nessa mudança eram duas coisas diferentes.




CAPÍTULO 13


AFINAL, QUEM É BIBA?


Quem é Biba?

É fácil responder olhando apenas para aquilo que ela fazia.

Mas a história mostrou que existe muito mais.

Biba é uma mulher que teve uma infância difícil.

É uma filha que cresceu sem a presença do pai.

É uma mulher que procurou amor em relacionamentos que lhe trouxeram dor.

É mãe de quatro filhos.

É alguém que tomou decisões difíceis.

É alguém que enfrentou consequências.

É alguém que sobreviveu.

E é também alguém que começou a desejar uma mudança.

A sua história não pode ser reduzida a uma única palavra.

Porque nenhuma pessoa é apenas o seu pior momento.

Compreender Biba não significa dizer que tudo o que ela fez estava certo.

Significa reconhecer que, por trás das escolhas, existem experiências, necessidades, feridas e responsabilidades.

E talvez a pergunta mais importante não seja apenas:

“O que Biba fez?”

Mas também:

“Quem Biba ainda pode tornar-se?”

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”
— Romanos 3:23

Se todos precisamos de graça, então talvez também precisemos aprender a olhar para os outros com mais humanidade.

A mudança de Biba estava apenas a começar.

E o primeiro grande teste viria quando ela tentasse reconstruir a própria vida diante de uma sociedade que ainda se lembrava do seu passado.




CAPÍTULO 14


QUANDO O PASSADO NÃO QUER DEIXAR IR


Biba decidiu que precisava mudar.

Começou a procurar trabalho.

Não queria depender para sempre daquilo que tinha feito durante anos.

Certo dia, soube que uma pequena empresa estava à procura de alguém.

Para ela, aquela oportunidade parecia uma porta.

Preparou cuidadosamente a roupa.

Organizou os documentos.

Saiu de casa com esperança.

Enquanto caminhava, pensava:

“Talvez seja hoje que a minha vida começa a mudar.”

Chegou ao local e participou da entrevista.

No início, tudo parecia correr bem.

Até que alguém a reconheceu.

— Tu não és a Biba que trabalha naquela zona?

O coração dela apertou.

Ela poderia mentir.

Mas decidiu dizer a verdade.

— Sim, sou eu. Mas quero mudar.

A pessoa que estava diante dela ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Precisamos de alguém em quem possamos confiar.

Biba respirou fundo.

— Eu posso trabalhar. Estou disposta a aprender. Quero uma oportunidade.

Mas a resposta foi negativa.

Ela saiu dali com lágrimas nos olhos.

No caminho de volta, uma pergunta não saía da sua mente:

“Até quando vão julgar-me pelo que eu fui?”

Naquele dia, Biba aprendeu uma verdade dolorosa:

ela podia decidir mudar imediatamente, mas não podia obrigar os outros a confiar nela imediatamente.

A confiança seria reconstruída com tempo.

Com atitudes.

Com perseverança.

Com escolhas consistentes.

Quando chegou em casa, chorou.

Por alguns instantes, pensou em desistir.

Depois lembrou-se da conversa que teve com aquele homem que apareceu para falar sobre mudança. 

Pegou na Bíblia.

Abriu-a.

Os seus olhos encontraram estas palavras:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
— 2 Coríntios 5:17

Biba ficou em silêncio.

Talvez o emprego tivesse sido recusado.

Mas isso não significava que o seu recomeço tivesse sido recusado.

Ela precisava continuar.

Porque reconstruir uma vida não acontece num único dia.

Acontece através de pequenas escolhas repetidas todos os dias.

O emprego tinha sido recusado.

Mas o recomeço, não.




CAPÍTULO 15


UMA NOVA CAMINHADA — A CURA DA ALMA


Biba percebeu que mudar apenas as circunstâncias externas não seria suficiente.

Ela precisava tratar aquilo que carregava dentro de si.

Precisava aprender a lidar com a culpa.

Com a vergonha.

Com a rejeição.

Com a raiva.

Com as memórias.

Com os pensamentos que diziam:

“Tu não tens valor.”

“Nunca vais conseguir mudar.”

“Deus não pode querer alguém como tu.”

Foi então que uma vizinha a convidou para ir à igreja.

Biba hesitou.

Tinha medo de ser julgada.

Mesmo assim, decidiu ir.

Sentou-se no último banco.

Permaneceu em silêncio.

Durante o culto, ouviu uma mensagem sobre graça, arrependimento e recomeço.

Uma frase chamou particularmente a sua atenção:

Deus não olha apenas para aquilo que uma pessoa foi; Ele também pode trabalhar naquilo que ela ainda pode tornar-se.

No final, uma irmã da igreja aproximou-se dela e disse:

— És muito especial para Deus, ele te ama.

Biba não respondeu.

Mas aquelas palavras permaneceram dentro dela.

Começou a frequentar a igreja.

Depois deu continuidade a leitura da Bíblia.

Começou também a orar.

No princípio, as suas orações eram curtas.

— Senhor, ajuda-me.

— Senhor, muda a minha vida.

— Senhor, cuida dos meus filhos.

Com o tempo, as orações tornaram-se mais profundas.

Ela começou a falar com Deus sobre aquilo que nunca conseguira dizer a ninguém.

A oração tornou-se um lugar onde podia respirar.

E percebeu que precisava de uma renovação interior.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.”
— Romanos 12:2

Biba começou a compreender que nem toda mudança acontece de repente.

Algumas mudanças começam na forma como pensamos.

Depois aparecem na forma como falamos.

Depois na forma como reagimos.

E, finalmente, tornam-se visíveis nas nossas escolhas.

Quando errava, aprendia a voltar para Deus.

Quando sentia medo, aprendia a orar.

Quando se lembrava do passado, aprendia a não permitir que ele definisse o seu futuro.

A igreja também começou a envolvê-la em pequenas actividades.

Ela ajudava a organizar o espaço, participava de reuniões de oração e começou a servir.

Pouco a pouco, começou a sentir que pertencia a algum lugar.

Certa vez, uma irmã disse-lhe:

— Biba, tu estás diferente.

Ela respondeu:

— Ainda tenho muito para mudar.

A irmã sorriu.

— Mas Deus já começou a obra.

Biba entendeu que a cura da alma não significava esquecer tudo o que havia vivido.

Significava aprender a viver sem permitir que as feridas controlassem cada decisão.


E a sua oração tornou-se simples:

“Senhor, cura aquilo em mim que eu não consigo curar sozinha.”

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito recto.”
— Salmos 51:10

Biba ainda não estava pronta.

Mas já não estava no mesmo lugar.




CAPÍTULO 16


O PERDÃO


A caminhada com Deus estava a ensinar Biba muitas coisas.

Mas havia uma área em que ainda sentia muita resistência:

o perdão.

Ela conseguia orar.

Conseguia ler a Bíblia.

Conseguia servir.

Mas quando pensava nas pessoas que a tinham ferido, a dor voltava.

Um dia, a igreja organizou um propósito que tinha como tema o perdão.

Cada participante deveria escrever os nomes das pessoas que haviam causado feridas na sua vida.

Depois, orariam entregando aquelas dores a Deus.

Biba segurou a caneta.

Mas não conseguia escrever.

Até que começou.

Escreveu o nome da mãe.

Depois pensou nos homens que tinham passado pela sua vida.

Pensou nos pais dos seus filhos.

Pensou em todas as pessoas que a tinham feito sentir-se rejeitada.

A lista ficou longa.

O pastor explicou:

— Perdoar não significa dizer que aquilo que fizeram foi certo. Não significa esquecer. Não significa voltar a confiar imediatamente. E não significa que precisas voltar para uma situação que te faça mal.

Perdoar significa entregar a Deus aquilo que já não queremos continuar a carregar.

Biba ouviu atentamente.

Depois lembrou-se de Jesus na cruz:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
— Lucas 23:34

Naquela noite, em casa, Biba chorou.

Falou com Deus sobre a infância.

Falou sobre a mãe.

Falou sobre o pai ausente.

Falou sobre os relacionamentos.

Falou sobre os pais dos seus filhos.

E finalmente disse:

— Senhor, ajuda-me a perdoar.

O perdão não aconteceu como uma emoção mágica.

Foi uma decisão.

Biba começou pela mãe.

— Senhor, eu perdoo a minha mãe. Ajuda-me a deixar esta dor nas Tuas mãos.

No dia seguinte, tomou uma decisão simples.

Ligou para a mãe.

Quando ouviu a voz dela, disse:

— Mãe, eu amo-te.

A mãe ficou em silêncio.

Talvez também não soubesse como responder.

A relação não ficou perfeita naquele instante.

Mas uma porta foi aberta.

Biba também decidiu perdoar os pais dos seus filhos.

Não os procurou imediatamente.

Não restaurou automaticamente a confiança.

Apenas decidiu não continuar a viver presa à raiva.

Naquele dia compreendeu:

Perdoar não é apagar o passado. É impedir que o passado continue a governar o futuro.




CAPÍTULO 17


ESPÍRITO SANTO, TRANSFORMA-ME


Quanto mais Biba caminhava com Deus, mais percebia que precisava de uma transformação que não conseguiria produzir apenas com força de vontade.

Ela queria mudar.

Mas começou a compreender que não precisava tentar transformar-se sozinha.

Queria aprender a ouvir Deus.

Queria aprender a reagir de maneira diferente.

Queria deixar de responder à dor com mais dor.

Foi então que começou a buscar uma relação mais profunda com o Espírito Santo.

Nas situações difíceis, começou a fazer uma pergunta:

“Espírito Santo, o que queres ensinar-me nesta situação?”

Antes, reagia rapidamente.

Agora, procurava parar.

Antes, queria responder às pessoas que a julgavam.

Agora, aprendia a escolher o silêncio quando necessário.

Antes, a rejeição definia a sua identidade.

Agora, começava a compreender que o seu valor não dependia da opinião das pessoas.

Ela começou a ver-se como filha de Deus.

E percebeu que a transformação verdadeira também produzia frutos.

“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio.”
— Gálatas 5:22-23

O domínio próprio tornou-se uma das maiores aprendizagens de Biba.

Ela descobriu que controlar-se não significava ser fraca.

Significava não permitir que qualquer emoção decidisse por ela.

Quando sentia raiva, orava.

Quando sentia medo, buscava Deus.

Quando era provocada, pensava antes de responder.

Quando se sentia rejeitada, lembrava-se de quem era.

A transformação também começou a aparecer na relação com a mãe.

Depois daquela conversa em que Biba disse “eu amo-te”, a mãe inicialmente permaneceu desconfiada.

Mas, com o passar do tempo, começou a perceber que alguma coisa realmente estava diferente.

Um dia, olhou para Biba e disse:

— Tu estás diferente.

Biba sorriu.

— Deus está a transformar-me.

A relação entre as duas não se tornou perfeita.

Mas tornou-se mais saudável.

Biba também passou a interceder pela família.

Orava pelos filhos.

Orava pela mãe.

Orava pelos irmãos.

Orava pelos pais dos seus filhos.

Orava até por pessoas que a tinham julgado.

Já não queria apenas que Deus mudasse as circunstâncias.

Queria que Deus transformasse pessoas.

E aprendeu três coisas importantes:

Amar não significa ser ingénua.

Perdoar não significa abandonar os limites.

Ter sabedoria não significa ter orgulho.

A transformação não eliminou todos os problemas.

Mas mudou a forma como Biba enfrentava os problemas.

A sua oração tornou-se:

“Espírito Santo, transforma-me.”




CAPÍTULO 18


QUANDO DEUS MUDA A HISTÓRIA


Biba começou a perceber que a sua história não terminaria nas páginas mais dolorosas.

Continuava a enfrentar dificuldades.

Mas agora tinha outra forma de olhar para elas.

Continuava a cuidar dos filhos.

Continuava a servir na igreja.

Participava de trabalhos sociais, ajudava pessoas necessitadas, visitava doentes e oferecia palavras de esperança.

A mulher que um dia precisava desesperadamente de ser ouvida começava agora a aprender a ouvir outras pessoas.

A mulher que precisava de esperança começava a oferecer esperança.

Foi nesse novo período que conheceu Mateus.

Mateus também carregava uma história dolorosa.

Era viúvo e tinha perdido a esposa num acidente trágico.

Não era alguém que estivesse simplesmente à procura de outra pessoa.

Também estava num processo de cura.

Os dois começaram a encontrar-se através das actividades da igreja.

Conversavam.

Partilhavam experiências.

Participavam de estudos bíblicos e momentos de oração.

Biba não estava à procura de um relacionamento.

Depois de tudo o que vivera, não queria voltar a escolher alguém apenas porque tinha medo de ficar sozinha.

Mateus também precisava de tempo.

Certo dia, durante uma conversa, ele confessou:

— Tenho medo de voltar a amar.

Biba respondeu:

— Não precisas ter pressa.

Ele olhou para ela.

— Tu mudaste muito, Biba.

Ela sorriu.

— Ainda estou a mudar.

Mateus respondeu:

— Talvez seja isso que eu admiro em ti.

Biba ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois disse:

— Então não procures primeiro numa pessoa. Procura em Deus.

Aquelas palavras ficaram entre os dois.

Havia um sentimento começando a nascer.

Mas Biba não queria repetir os erros do passado.

Uma noite, ficou acordada pensando.

Lembrou-se dos homens que haviam prometido amor e depois partiram.

Pensou:

“E se acontecer outra vez?”

Mas havia outra pergunta ainda mais profunda:

“E se eu deixar o medo decidir por mim?”

Pegou na Bíblia e lembrou-se das palavras:

“Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
— 2 Coríntios 5:17

Então orou:

— Senhor, eu ainda tenho medo. Mas não quero que o medo seja o meu senhor. Se houver um novo capítulo para mim, escreve Tu. Se não houver, ensina-me também a ficar em paz.

No dia seguinte, Biba conversou com Mateus.

— Gosto de conversar contigo — disse ela. — Mas quero fazer as coisas de maneira diferente.

— Como?

— Quero que comecemos pela amizade. Quero oração, respeito e tempo. Não quero promessas vazias. Não quero que nenhum de nós entre numa relação apenas por causa da solidão.

Mateus concordou.

— Eu também quero fazer assim.

Naquele momento, não houve grandes promessas.

Houve apenas uma decisão:

não correr.

Biba compreendeu que nem toda porta aberta precisa ser atravessada imediatamente.

Algumas portas precisam primeiro ser examinadas.

Alguns sentimentos precisam de tempo.

Algumas relações precisam de oração.

E algumas decisões precisam de Deus antes de precisarem de respostas.

Naquela noite, Biba voltou a orar:

— Senhor, o que queres ensinar-me através desta relação?

Ela já não perguntava apenas:

“Será que Mateus gosta de mim?”

Agora perguntava:

“Será que esta relação pode estar dentro do propósito que tens para a minha vida?”

Essa era uma nova Biba.

Não uma mulher sem passado.

Mas uma mulher que aprendera a não permitir que o passado governasse todas as suas decisões.

A história de Biba ainda não tinha terminado.

Mas agora ela sabia que não precisava escrever cada capítulo sozinha.

Deus ainda estava a escrever.




CONCLUSÃO


O RECOMEÇO


A história de Biba começou marcada por rejeição.

Passou pela ausência.

Conheceu a carência.

Encontrou relacionamentos dolorosos.

Conheceu a maternidade.

Enfrentou dificuldades.

Fez escolhas.

Sofreu consequências.

Foi julgada.

Mas também encontrou uma oportunidade de recomeçar.

A sua transformação não aconteceu de um dia para o outro.

Foi um caminho.

Houve lágrimas.

Houve dúvidas.

Houve quedas.

Houve momentos de medo.

Houve portas fechadas.

Houve pessoas que demoraram a acreditar.

Mas houve também fé.

Houve perdão.

Houve cura.

Houve mudança.

E houve Deus.

A história de Biba ensina-nos que não devemos definir uma pessoa apenas pelo capítulo que encontramos.

Talvez alguém esteja a viver hoje o capítulo mais difícil da sua vida.

Mas isso não significa que esse seja o último.

Por isso, antes de julgarmos, precisamos ouvir.

Antes de condenarmos, precisamos compreender.

Antes de desistirmos de alguém, precisamos lembrar que ainda pode existir um processo acontecendo dentro daquela pessoa.

E, acima de tudo, precisamos lembrar:

há pessoas que precisam de uma oportunidade para recomeçar.

Biba não pode voltar ao passado.

Não pode apagar as escolhas que fez.

Não pode mudar as pessoas que a abandonaram.

Mas pode escolher o que fará com as páginas que ainda tem pela frente.

E talvez essa seja a maior mensagem desta história:

O passado pode fazer parte da nossa história sem ser o dono do nosso futuro.

 

Para reflectir

Que parte da tua história ainda estás a permitir que determine quem és?

Talvez hoje seja o momento de entregar essa página a Deus.

Porque, quando Deus muda uma história, Ele não apaga o passado.

Ele transforma o significado do que virá depois.



Liandra Langa


Escritora, Mentora e Palestrante


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

LIANDRA LANGA LEVA SUA VOZ AO DEBATE SOBRE VBG NA MACHAVA - SEDE

 


Estudantes participaram numa roda de conversa marcada por experiências, questionamentos e reflexões sobre relações entre homens e mulheres


Machava Sede — Falar sobre Violência Baseada no Género (VBG) também significa abrir espaço para ouvir os jovens, questionar ideias enraizadas e promover relações baseadas no respeito, diálogo e igualdade.

Foi com esse propósito que estudantes da Machava Sede participaram numa actividade de sensibilização sobre Violência Baseada no Género, que contou com a participação do artista nacional Ziqo, convidado para partilhar experiências e interagir directamente com os alunos.


A actividade proporcionou um ambiente de diálogo aberto, no qual os estudantes puderam apresentar as suas opiniões, levantar questões e partilhar experiências relacionadas com situações de violência e conflitos nas relações.


🎤 Liandra Langa participa como Mestre de Cerimónias




A actividade contou igualmente com a participação de Liandra Langa, que teve a responsabilidade de conduzir o evento na qualidade de Mestre de Cerimónias (MC).

Para Liandra, a participação representou uma oportunidade importante de contribuir para uma conversa que envolve directamente os jovens e a sociedade.

“Fiquei muito grata por ter participado como MC deste evento. Foi uma experiência enriquecedora, principalmente por poder acompanhar a participação dos estudantes e ouvir as suas diferentes experiências e opiniões sobre a Violência Baseada no Género.”

Quando o debate ganhou força

Um dos momentos mais marcantes aconteceu durante a roda de conversa, quando os participantes começaram a discutir questões relacionadas com os papéis atribuídos ao homem e à mulher dentro de uma relação.

Entre as perguntas levantadas estavam:

  • Qual deve ser o papel do homem e da mulher numa relação?
  • O homem pode chorar?
  • Será que o ciúme é uma forma de amar?
  • Uma mulher que usa uma saia curta está a provocar os homens?

As perguntas provocaram diferentes reacções entre os estudantes e deram origem a um debate bastante participativo.

“Homem não deve chorar?”

A questão sobre o choro masculino foi uma das que mais aqueceu a conversa.

Alguns participantes defenderam inicialmente a ideia de que o homem deveria evitar chorar, enquanto outros questionaram essa forma tradicional de pensar.

A discussão levou os estudantes a reflectirem sobre a ideia de que demonstrar emoções não torna um homem menos homem.

No final, prevaleceu uma mensagem importante: o homem também pode chorar.

Chorar é uma manifestação de emoções humanas e não deve ser automaticamente associado à fraqueza. Criar espaços onde rapazes e homens possam falar sobre aquilo que sentem pode contribuir para relações mais abertas e para uma melhor comunicação.

Ciúme é amor?

Outro tema que despertou bastante interesse foi o ciúme.

Os estudantes foram convidados a reflectir sobre a diferença entre uma preocupação ou insegurança numa relação e comportamentos de controlo que podem transformar-se em violência.

A discussão procurou mostrar que amar não significa controlar, humilhar, ameaçar ou limitar a liberdade do outro.

A roupa da mulher justifica a violência?

A discussão sobre o uso de saia curta também provocou diferentes opiniões.

A pergunta — “Usar uma saia curta é uma provocação para os homens?” — abriu espaço para uma reflexão sobre responsabilidade individual, respeito e a necessidade de não justificar comportamentos violentos pela forma como alguém se veste.

O debate mostrou que questões relacionadas com género continuam a despertar opiniões diferentes, mas também demonstrou a importância de conversar sobre elas num ambiente educativo e respeitoso.


A voz dos estudantes


Mais do que simplesmente ouvir palestrantes, os estudantes tiveram espaço para falar, questionar e partilhar as suas próprias experiências.



A participação dos jovens tornou a actividade numa verdadeira roda de conversa, permitindo que diferentes perspectivas fossem apresentadas e discutidas.

A iniciativa reforçou a importância de envolver os estudantes nas discussões sobre Violência Baseada no Género, uma vez que são também parte fundamental da construção de relações mais saudáveis e respeitosas na sociedade.




Uma experiência de reflexão


A actividade terminou deixando uma mensagem que vai para além daquele espaço de debate: combater a Violência Baseada no Género começa também pela forma como homens e mulheres aprendem a relacionar-se, comunicar e respeitar os seus limites e direitos.


Para Liandra Langa, a experiência fica marcada não apenas pela oportunidade de conduzir o evento, mas sobretudo pela possibilidade de ouvir os jovens e testemunhar a sua participação.


“Foi uma experiência que me deixou muito grata. Quando damos espaço aos jovens para falar, descobrimos que eles têm muito a dizer e que também podem contribuir para a construção de uma sociedade com mais respeito, diálogo e harmonia.”

Por uma sociedade onde falar também seja uma forma de prevenir a violência.

Texto: Liandra Langa
Mestre de Cerimónias | Escritora, Mentora e Palestrante



domingo, 27 de setembro de 2026

REFLEXÃO SOBRE A VIOLÊNCIA BASEADA NO GÊNERO

 



Liandra Langa leva a sua voz à reflexão sobre a Violência Baseada no Género


Diálogo, respeito e harmonia familiar como caminhos para relações mais saudáveis


Maputo — No dia 19 de Setembro de 2026, a escritora, mentora e palestrante Liandra Langa teve a oportunidade de participar num programa televisivo dedicado à reflexão sobre a Violência Baseada no Género (VBG).


O convite foi recebido com grande satisfação, proporcionando a Liandra Langa um espaço para partilhar as suas perspectivas e contribuir para o debate em torno de uma questão que continua a merecer atenção e reflexão por parte da sociedade.

Durante a sua participação, Liandra Langa destacou a importância de homens e mulheres procurarem fortalecer o diálogo, o respeito, a compreensão e a harmonia no seio familiar. Na sua perspectiva, a comunicação aberta pode contribuir para que os membros da família expressem as suas preocupações, compreendam melhor uns aos outros e procurem formas construtivas de enfrentar os desafios das relações familiares.


Uma mensagem para homens e mulheres

Ao abordar o tema, Liandra Langa deixou uma mensagem dirigida tanto aos homens como às mulheres, incentivando-os a valorizar o diálogo e o respeito mútuo nas relações.

Mais do que falar sobre conflitos, a reflexão procura chamar a atenção para a necessidade de construir relações baseadas na dignidade, responsabilidade e valorização de cada pessoa.

“Quando existe diálogo, há espaço para ouvir, compreender e procurar soluções. O respeito deve estar na base das relações familiares.”

A participação no programa representou, para Liandra Langa, uma oportunidade de continuar a usar a sua voz para abordar temas relevantes para a sociedade e promover reflexões que possam contribuir para famílias e comunidades mais conscientes.


Gratidão pela oportunidade

Liandra Langa expressa o seu profundo agradecimento pelo convite e pela oportunidade de participar no programa televisivo, valorizando a confiança depositada no seu trabalho e na sua contribuição para esta importante conversa.

Com entusiasmo, manifesta também a sua disponibilidade para continuar a participar em programas, debates, palestras e outras iniciativas relacionadas com temas de interesse social e familiar.

Para Liandra Langa, cada oportunidade de falar, ouvir e partilhar ideias representa também uma oportunidade de semear reflexão e contribuir para mudanças positivas na sociedade.


Liandra Langa

Escritora, Mentora e Palestrante

terça-feira, 1 de setembro de 2026

150 MIL VISUALIZAÇÕES - GRATIDÃO 🙏❤️



 ✨ 150 MIL VISUALIZAÇÕES! ✨



Queridos leitores 🎈🌺❤️

Hoje o meu coração está cheio de gratidão e emoção 💓! Chegámos às 150 mil visualizações no blogue! 🙏✨

Eu gosto de escrever, mas perceber que aquilo que escrevo pode tocar, inspirar e transformar vidas é algo que me emociona profundamente. 🥹❤️

Este marco não significa que sou a melhor, mas mostra-me que vale a pena continuar a escrever e a partilhar aquilo em que acredito: paz, esperança, alegria e sabedoria. O meu desejo é deixar um legado que possa alcançar não apenas o presente, mas também as futuras gerações. 🌱✨

A você, querido (a ) leitor (a), que tem visitado o blogue, lido, partilhado e confiado no nosso trabalho: o meu muito obrigada! ❤️

Continue a visitar e partilhe a página com mais pessoas. Quem sabe, juntos, possamos alcançar cada vez mais vidas com uma mensagem de paz que excede todo o entendimento e sabedoria que vem do alto. 🙏✨

Gratidão pelas 150 mil visualizações! 🥂💓

Que este seja apenas o começo de algo ainda maior. 🌟

sábado, 20 de junho de 2026

PROCEDIMENTOS DOS FILHOS DA LUZ 🕯️



1. A LUZ E AS TREVAS

A Bíblia Sagrada está repleta de palavras sobre a luz. Desde o princípio, no livro de Gênesis, quando Deus criou os céus e a terra, encontramos:

«“No princípio Deus criou os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Disse Deus: ‘Haja luz’, e houve luz.”

Gênesis 1.1-3»

Mais adiante, no Novo Testamento, encontramos:

«“No princípio era aquele que é a Palavra (Jesus). Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a compreenderam.”

João 1.1-3, 5»

A palavra “trevas”, nesse contexto, significa muito mais do que a ausência de luz. Como vimos em Gênesis 1, Deus separou a luz das trevas e chamou a luz de boa, e não as trevas.

Também podemos observar isso em 1 João:

«“Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”

1 João 1.5-7»

2. QUEM SÃO OS FILHOS DA LUZ?

Com certeza, você pode ser filho da luz. O livro de Efésios declara:

«“Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz!” (Efésios 5:8)

Podemos dizer que os filhos da luz são aqueles que abandonaram as trevas, isto é, o pecado, e vivem segundo o Evangelho, cumprindo os princípios instituídos por Deus.


3. OS PRINCÍPIOS INSTITUÍDOS POR DEUS

Mas o que seriam os princípios instituídos por Deus? São verdades imutáveis que orientam o caráter, as escolhas e os relacionamentos.

Entre esses princípios, podemos destacar:

- Amar a Deus acima de todas as coisas;

- Amar o próximo como a si mesmo;

- Praticar a verdade e a justiça;

- Viver de maneira coerente com a fé professada.

Caro leitor, entenda que um princípio bíblico, quando identificado e aceito, torna-se uma verdade interior que governa nossas ações.

A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração.(Hebreus 4:12)

4. OS FILHOS DA LUZ DEVEM PRATICAR A VERDADE E A JUSTIÇA

É importante que os filhos da luz pratiquem a verdade e a justiça.

É possível que você tenha crescido em um ambiente diferente, no qual havia práticas contrárias aos princípios de Deus. Eu entendo perfeitamente.

Deixe-me contar um testemunho pessoal. Mas, por favor, não se escandalize.

Depois de aceitar Jesus como Senhor e Salvador, não havia em mim um verdadeiro comprometimento como cristã ou como filha de Deus. Havia uma distância tremenda entre o meu estilo de vida na igreja e fora dela.

Ainda que me considerasse filha de Deus, eu continuava bebendo aos sábados e, aos domingos, ia normalmente à igreja. Continuava frequentando ambientes promíscuos, perdendo noites dançando músicas seculares e idolatrando artistas.

Chorava de emoção por um artista em uma noite e, no dia seguinte, chorava de emoção durante o louvor na igreja.

Eu estava sendo falsa?

Não necessariamente. Apenas não tinha conhecimento de que um cristão, independentemente de onde esteja, continua sendo cristão.

Deus não nos chamou para uma vida dupla, marcada por pensamentos e atitudes inconstantes.

Às vezes, você pode estar agindo de forma inocente, mas as consequências das suas atitudes são inevitáveis.


5. ABANDONANDO AS OBRAS DAS TREVAS

A Bíblia Sagrada revela que as obras da carne são manifestas:

«“Imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes.”»

E continua:

«“Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” Gálatas 5:19-21»

Ainda que uma pessoa se considere filha de Deus, não há como viver uma vida de inteira entrega às coisas do mundo e, ao mesmo tempo, afirmar que vive plenamente para Deus.

Por isso, é necessário abandonar as obras das trevas e buscar uma vida de obediência, verdade e santidade.


6. ABANDONAR A MENTIRA E O ENGANO

Nos últimos dias, somos tentados a praticar obras das trevas, como mentir e enganar os outros de maneira fria e calculista, porque ouvimos que Deus só quer o nosso coração.

Entretanto, o apóstolo Paulo, através da Palavra de Deus, exorta a igreja a ser sensível às coisas espirituais, mudando o seu procedimento anterior, agindo com honestidade e rejeitando principalmente a mentira e o engano.

A Palavra diz:

«“Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.”» Efésios 4:22-24

Falar a verdade não deve ser um procedimento momentâneo, mas deve ser o nosso estilo de vida como filhos da luz.

É necessário que cada um abandone a mentira e fale a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo.

7. ENFRENTAR A VERDADE

Enfrente a verdade, ainda que isso lhe custe perder algumas pessoas que têm a mentira como base de sobrevivência.

Saia dos grupos de fofocas, contendas e intrigas. Junte-se aos filhos da luz através da mudança da sua posição.

Aceite passar pela dor de enfrentar a verdade. Isso, com certeza, poderá mudar a sua vida.

Você ganhará paz e liberdade.


8. A INTEGRIDADE DOS FILHOS DA LUZ

Os filhos da luz devem demonstrar integridade.

Demonstre, por meio das suas atitudes:

- Bondade;

- Mansidão;

- Longanimidade;

- Temperança;

- Domínio próprio.

Evite:

- Imoralidade sexual;

- Engano;

- Manipulação;

- Avareza;

- Conversas obscenas e tolas.

Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo algo útil com as próprias mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.


9. PALAVRAS QUE EDIFICAM

Nenhuma palavra torpe deve sair da nossa boca, mas somente aquela que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.

Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.


CONCLUSÃO

Ser filho da luz não significa apenas declarar que pertence a Deus. Significa abandonar as obras das trevas, viver segundo a Palavra, praticar a verdade e a justiça, demonstrar integridade e permitir que as nossas atitudes reflitam aquilo que professamos crer.

Que a nossa vida seja um verdadeiro testemunho de que somos filhos da luz.

sábado, 4 de abril de 2026

A CRUCIFICAÇÃO: PARTE DO CUMPRIMENTO DO PROPÓSITO DO FILHO UNIGÉNITO DE DEUS







Base bíblica

Romanos 1:1-6; João 3:16-17; João 14:1-31; João 16:5-11; Actos 1:8; Isaías 53:2-10; Actos 2:2-4; Filipenses 2:5-11; Mateus 16:21-23.


Introdução

O apóstolo Paulo, servo de Cristo Jesus, fala acerca da promessa que Deus havia feito por meio dos profetas nas Escrituras Sagradas, acerca do Seu Filho, Jesus Cristo. Segundo Paulo, Jesus, como homem, era descendente de Davi e, mediante o Espírito de santidade, foi declarado Filho de Deus com poder pela Sua ressurreição dentre os mortos.

Por meio de Jesus Cristo e por causa do Seu nome, recebemos graça e o chamado para levar a mensagem do Evangelho a todas as nações, conduzindo as pessoas à obediência que vem pela fé. E nós também somos chamados a pertencer a Cristo (Romanos 1:1-6).


Em João 3:16-17, encontramos uma das maiores demonstrações do amor de Deus pela humanidade:

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.”

 

O propósito do envio do Filho de Deus era a salvação da humanidade, a libertação do pecado e a reconciliação do homem com Deus por meio da Sua morte e ressurreição.

Jesus sabia que o Seu propósito culminaria na cruz. A Sua morte não foi um acidente nem uma derrota inesperada; fazia parte do plano de Deus para a redenção da humanidade.


Jesus sabia que precisava partir

Antes da Sua morte, Jesus preparou os Seus discípulos para a Sua partida. Ele sabia que a Sua presença física entre eles chegaria ao fim, mas também sabia que a Sua partida abriria caminho para a vinda do Consolador, o Espírito Santo.


Jesus disse:

“Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu teria dito a vocês. Vou preparar lugar para vocês. E, quando eu for e preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.”

E acrescentou:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”

Jesus também prometeu o Espírito Santo:

“E eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade.”

(João 14:1-3, 6, 16-17)

Portanto, a partida de Jesus não significava o fim da Sua obra. Pelo contrário, fazia parte da continuidade do propósito de Deus.


A igreja chora a morte do Filho unigénito de Deus

Quando era criança, a minha avó levava-me à sua igreja para participar no culto da Sexta-Feira Santa. Era considerado um dos cultos mais importantes, porque se pregava sobre a morte de Cristo.

O culto era carregado de muita emoção, pois se falava intensamente das dores que o nosso Senhor Jesus Cristo sofreu durante a crucificação.

Lembro-me de que, quando chegavam as 15 horas, toda a igreja começava a chorar 😭, como se Cristo estivesse a ser crucificado naquele momento.

Na minha inocência de criança, eu perguntava:

“Será que Jesus morreu outra vez? E desta vez não haverá ressurreição?”


Hoje, olhando para aquela experiência com mais entendimento das Escrituras, surge em mim uma reflexão:

Será que a morte de Cristo deve ser lembrada apenas com tristeza ou também deve ser contemplada à luz da vitória que ela produziu?

Não podemos negar a dor, o sofrimento e a gravidade da cruz. Mas também não podemos esquecer que a cruz não foi o fim da história.


Era necessário que Jesus partisse

Em João 16:5-11, Jesus explicou aos Seus discípulos que a Sua partida seria necessária:

“Mas eu afirmo que é para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas, se eu for, eu o enviarei.”

Jesus estava a preparar os discípulos para compreenderem que a Sua partida fazia parte de um propósito maior.

Era necessário que Jesus fosse para que o Espírito Santo viesse sobre os Seus discípulos.

Em Actos 1:8, Jesus declarou:

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.”

Surge então uma pergunta:

Como seríamos testemunhas de Cristo se Ele não tivesse cumprido o Seu propósito?

A morte e a ressurreição de Jesus abriram caminho para uma nova etapa da missão dos Seus discípulos.


O cumprimento da promessa do Espírito Santo

Depois da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos continuaram reunidos, dando continuidade à missão que Jesus lhes havia confiado.

Em Actos 2:2-4, encontramos o cumprimento da promessa da descida do Espírito Santo:

“De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.”

Aqui vemos que a obra de Cristo não terminou na cruz.

A cruz conduziu à ressurreição; a ressurreição conduziu à exaltação; e a exaltação abriu caminho para o derramamento do Espírito Santo e para a expansão do Evangelho.


Cristo veio para cumprir as profecias

Importa também compreender que Jesus veio para cumprir aquilo que havia sido anunciado nas Escrituras.

Em Isaías 53 encontramos uma profecia profunda acerca do sofrimento e do propósito do Messias:

“Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento.”

O profeta continua:

“Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.”

E ainda:

“Como um cordeiro, foi levado para o matadouro; e, como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.”

(Isaías 53:2-10)

Desde o início desta reflexão, percebemos que aquilo que foi escrito, profetizado e anunciado apontava para a missão redentora de Cristo.

A cruz fazia parte do propósito.


Devemos chorar ou celebrar?

É neste ponto que surge uma questão que considero importante:

A Igreja deve apenas chorar pela morte de Cristo ou também deve celebrar porque Ele cumpriu perfeitamente o propósito para o qual veio?

Tenho acompanhado algumas ministrações sobre a morte de Cristo e, em alguns momentos, parece haver uma ênfase tão grande na tristeza da crucificação que se perde de vista a vitória que a cruz representa.

Não se trata de desvalorizar o sofrimento de Jesus. Pelo contrário, devemos reconhecer a profundidade do Seu sacrifício.

Mas precisamos compreender que Jesus não foi derrotado na cruz. Ele entregou a Sua vida voluntariamente e cumpriu a missão que o Pai lhe confiou.

Por meio do Seu sacrifício, fomos reconciliados com Deus e recebemos a esperança da vida eterna.

A cruz representa sofrimento, mas também representa amor, redenção, reconciliação, vitória e cumprimento do propósito de Deus.


Jesus explicou aos discípulos a Sua morte

Em Mateus 16:21-23, Jesus começou a explicar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, sofrer nas mãos dos líderes religiosos, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

Pedro, porém, chamou Jesus à parte e começou a repreendê-lo:

“Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!”

Jesus respondeu:

“Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens.”

Essa passagem merece a nossa atenção.

Pedro não queria aceitar que Jesus sofresse e morresse. Humanamente, parecia absurdo permitir que alguém tão importante passasse por tamanho sofrimento.

Mas Jesus mostrou que aquela oposição estava a tentar impedir o cumprimento do propósito de Deus.

Isso leva-nos a uma reflexão:


Quando nos recusamos a aceitar aquilo que Deus determinou dentro do Seu propósito, será que não corremos o risco de olhar apenas para a dor momentânea e perder de vista a vitória que Deus está a produzir?

Jesus sabia que a cruz era necessária.


A oração de Jesus pelos discípulos

Quando chegou a hora de partir, Jesus também orou pelos Seus discípulos:

“Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade.” (João 17:15, 17-19)

 

Jesus estava a concluir a Sua missão terrena e, ao mesmo tempo, a preparar os Seus discípulos para continuarem a obra.

A Sua morte não significaria o encerramento da missão.

A missão continuaria através daqueles que Ele enviaria.


A vitória da cruz

Jesus Cristo cumpriu o propósito para o qual veio.

Ele não permaneceu na morte.

Ele ressuscitou.

Ele venceu a morte.

Ele foi exaltado.

E o Seu nome foi colocado acima de todo nome.

Filipenses 2:5-11 declara:

“Embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”

E então vem a parte gloriosa:

“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”

(Filipenses 2:5-11)


Conclusão

Jesus venceu na cruz.

Por isso, quando contemplamos a crucificação, não devemos ficar apenas presos à dor daquele momento. Devemos também olhar para aquilo que aconteceu depois:

Ele morreu, mas ressuscitou.
Foi humilhado, mas foi exaltado.

Foi rejeitado, mas recebeu o nome que está acima de todo nome.
Foi à cruz, mas venceu a morte.

Por isso, a cruz não deve ser apenas um símbolo de tristeza.

A cruz é também o testemunho do amor de Deus, da obediência de Cristo e da vitória sobre o pecado e a morte.

Precisamos, portanto, celebrar não a morte em si, mas a vitória que Cristo alcançou através da Sua morte e ressurreição.

E esta vitória também nos chama a uma responsabilidade.

Cristo cumpriu com sucesso o propósito que Deus lhe confiou.


E você? E eu?

Será que estamos a viver de maneira alinhada com o propósito que Deus nos confiou nesta terra?

Será que estamos dispostos a obedecer, mesmo quando o caminho exige sacrifício?

Será que estamos a permitir que o Espírito Santo nos capacite para sermos testemunhas de Cristo?

Jesus cumpriu o Seu propósito.

Agora, precisamos perguntar a nós mesmos: estamos a cumprir o propósito que Deus colocou nas nossas vidas?

🙏 Que a nossa vida não seja apenas uma celebração daquilo que Cristo fez, mas também uma resposta de obediência àquilo que Ele nos chamou para fazer.


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DA ESCRAVIDÃO AO RECOMEÇO

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