Base bíblica
Romanos 1:1-6; João 3:16-17; João 14:1-31; João 16:5-11; Actos 1:8; Isaías 53:2-10; Actos 2:2-4; Filipenses 2:5-11; Mateus 16:21-23.
Introdução
O apóstolo Paulo, servo de Cristo Jesus, fala acerca da promessa que Deus havia feito por meio dos profetas nas Escrituras Sagradas, acerca do Seu Filho, Jesus Cristo. Segundo Paulo, Jesus, como homem, era descendente de Davi e, mediante o Espírito de santidade, foi declarado Filho de Deus com poder pela Sua ressurreição dentre os mortos.
Por meio de Jesus Cristo e por causa do Seu nome, recebemos graça e o chamado para levar a mensagem do Evangelho a todas as nações, conduzindo as pessoas à obediência que vem pela fé. E nós também somos chamados a pertencer a Cristo (Romanos 1:1-6).
Em João 3:16-17, encontramos uma das maiores demonstrações do amor de Deus pela humanidade:
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.”
O propósito do envio do Filho de Deus era a salvação da humanidade, a libertação do pecado e a reconciliação do homem com Deus por meio da Sua morte e ressurreição.
Jesus sabia que o Seu propósito culminaria na cruz. A Sua morte não foi um acidente nem uma derrota inesperada; fazia parte do plano de Deus para a redenção da humanidade.
Jesus sabia que precisava partir
Antes da Sua morte, Jesus preparou os Seus discípulos para a Sua partida. Ele sabia que a Sua presença física entre eles chegaria ao fim, mas também sabia que a Sua partida abriria caminho para a vinda do Consolador, o Espírito Santo.
Jesus disse:
“Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu teria dito a vocês. Vou preparar lugar para vocês. E, quando eu for e preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.”
E acrescentou:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”
Jesus também prometeu o Espírito Santo:
“E eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade.”
(João 14:1-3, 6, 16-17)
Portanto, a partida de Jesus não significava o fim da Sua obra. Pelo contrário, fazia parte da continuidade do propósito de Deus.
A igreja chora a morte do Filho unigénito de Deus
Quando era criança, a minha avó levava-me à sua igreja para participar no culto da Sexta-Feira Santa. Era considerado um dos cultos mais importantes, porque se pregava sobre a morte de Cristo.
O culto era carregado de muita emoção, pois se falava intensamente das dores que o nosso Senhor Jesus Cristo sofreu durante a crucificação.
Lembro-me de que, quando chegavam as 15 horas, toda a igreja começava a chorar 😭, como se Cristo estivesse a ser crucificado naquele momento.
Na minha inocência de criança, eu perguntava:
“Será que Jesus morreu outra vez? E desta vez não haverá ressurreição?”
Hoje, olhando para aquela experiência com mais entendimento das Escrituras, surge em mim uma reflexão:
Será que a morte de Cristo deve ser lembrada apenas com tristeza ou também deve ser contemplada à luz da vitória que ela produziu?
Não podemos negar a dor, o sofrimento e a gravidade da cruz. Mas também não podemos esquecer que a cruz não foi o fim da história.
Era necessário que Jesus partisse
Em João 16:5-11, Jesus explicou aos Seus discípulos que a Sua partida seria necessária:
“Mas eu afirmo que é para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas, se eu for, eu o enviarei.”
Jesus estava a preparar os discípulos para compreenderem que a Sua partida fazia parte de um propósito maior.
Era necessário que Jesus fosse para que o Espírito Santo viesse sobre os Seus discípulos.
Em Actos 1:8, Jesus declarou:
“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.”
Surge então uma pergunta:
Como seríamos testemunhas de Cristo se Ele não tivesse cumprido o Seu propósito?
A morte e a ressurreição de Jesus abriram caminho para uma nova etapa da missão dos Seus discípulos.
O cumprimento da promessa do Espírito Santo
Depois da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos continuaram reunidos, dando continuidade à missão que Jesus lhes havia confiado.
Em Actos 2:2-4, encontramos o cumprimento da promessa da descida do Espírito Santo:
“De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.”
Aqui vemos que a obra de Cristo não terminou na cruz.
A cruz conduziu à ressurreição; a ressurreição conduziu à exaltação; e a exaltação abriu caminho para o derramamento do Espírito Santo e para a expansão do Evangelho.
Cristo veio para cumprir as profecias
Importa também compreender que Jesus veio para cumprir aquilo que havia sido anunciado nas Escrituras.
Em Isaías 53 encontramos uma profecia profunda acerca do sofrimento e do propósito do Messias:
“Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento.”
O profeta continua:
“Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.”
E ainda:
“Como um cordeiro, foi levado para o matadouro; e, como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.”
(Isaías 53:2-10)
Desde o início desta reflexão, percebemos que aquilo que foi escrito, profetizado e anunciado apontava para a missão redentora de Cristo.
A cruz fazia parte do propósito.
Devemos chorar ou celebrar?
É neste ponto que surge uma questão que considero importante:
A Igreja deve apenas chorar pela morte de Cristo ou também deve celebrar porque Ele cumpriu perfeitamente o propósito para o qual veio?
Tenho acompanhado algumas ministrações sobre a morte de Cristo e, em alguns momentos, parece haver uma ênfase tão grande na tristeza da crucificação que se perde de vista a vitória que a cruz representa.
Não se trata de desvalorizar o sofrimento de Jesus. Pelo contrário, devemos reconhecer a profundidade do Seu sacrifício.
Mas precisamos compreender que Jesus não foi derrotado na cruz. Ele entregou a Sua vida voluntariamente e cumpriu a missão que o Pai lhe confiou.
Por meio do Seu sacrifício, fomos reconciliados com Deus e recebemos a esperança da vida eterna.
A cruz representa sofrimento, mas também representa amor, redenção, reconciliação, vitória e cumprimento do propósito de Deus.
Jesus explicou aos discípulos a Sua morte
Em Mateus 16:21-23, Jesus começou a explicar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, sofrer nas mãos dos líderes religiosos, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Pedro, porém, chamou Jesus à parte e começou a repreendê-lo:
“Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!”
Jesus respondeu:
“Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens.”
Essa passagem merece a nossa atenção.
Pedro não queria aceitar que Jesus sofresse e morresse. Humanamente, parecia absurdo permitir que alguém tão importante passasse por tamanho sofrimento.
Mas Jesus mostrou que aquela oposição estava a tentar impedir o cumprimento do propósito de Deus.
Isso leva-nos a uma reflexão:
Quando nos recusamos a aceitar aquilo que Deus determinou dentro do Seu propósito, será que não corremos o risco de olhar apenas para a dor momentânea e perder de vista a vitória que Deus está a produzir?
Jesus sabia que a cruz era necessária.
A oração de Jesus pelos discípulos
Quando chegou a hora de partir, Jesus também orou pelos Seus discípulos:
“Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade.” (João 17:15, 17-19)
Jesus estava a concluir a Sua missão terrena e, ao mesmo tempo, a preparar os Seus discípulos para continuarem a obra.
A Sua morte não significaria o encerramento da missão.
A missão continuaria através daqueles que Ele enviaria.
A vitória da cruz
Jesus Cristo cumpriu o propósito para o qual veio.
Ele não permaneceu na morte.
Ele ressuscitou.
Ele venceu a morte.
Ele foi exaltado.
E o Seu nome foi colocado acima de todo nome.
Filipenses 2:5-11 declara:
“Embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”
E então vem a parte gloriosa:
“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”
(Filipenses 2:5-11)
Conclusão
Jesus venceu na cruz.
Por isso, quando contemplamos a crucificação, não devemos ficar apenas presos à dor daquele momento. Devemos também olhar para aquilo que aconteceu depois:
Ele morreu, mas ressuscitou.
Foi humilhado, mas foi exaltado.
Foi rejeitado, mas recebeu o nome que está acima de todo nome.
Foi à cruz, mas venceu a morte.
Por isso, a cruz não deve ser apenas um símbolo de tristeza.
A cruz é também o testemunho do amor de Deus, da obediência de Cristo e da vitória sobre o pecado e a morte.
Precisamos, portanto, celebrar não a morte em si, mas a vitória que Cristo alcançou através da Sua morte e ressurreição.
E esta vitória também nos chama a uma responsabilidade.
Cristo cumpriu com sucesso o propósito que Deus lhe confiou.
E você? E eu?
Será que estamos a viver de maneira alinhada com o propósito que Deus nos confiou nesta terra?
Será que estamos dispostos a obedecer, mesmo quando o caminho exige sacrifício?
Será que estamos a permitir que o Espírito Santo nos capacite para sermos testemunhas de Cristo?
Jesus cumpriu o Seu propósito.
Agora, precisamos perguntar a nós mesmos: estamos a cumprir o propósito que Deus colocou nas nossas vidas?
🙏 Que a nossa vida não seja apenas uma celebração daquilo que Cristo fez, mas também uma resposta de obediência àquilo que Ele nos chamou para fazer.
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