A BIBA
Versículo-chave
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”— João 7:24
INTRODUÇÃO
Antes de julgarmos uma pessoa pela vida que leva hoje, talvez devêssemos perguntar: o que aconteceu para que ela chegasse até aqui?
Esta é a história de Biba.
Aos 28 anos, Biba é mãe de quatro filhos e vive na cidade de Mocuba, na província da Zambézia. Para muitas pessoas, ela é simplesmente uma mulher que trabalha como prostituta.
Alguns olham para a sua roupa. Outros para os lugares que frequenta. Outros para as escolhas que fez.
Poucos, porém, conhecem a menina que existiu antes daquela mulher.
Poucos sabem das perguntas que ficaram sem resposta, das feridas que começaram ainda na infância, da ausência de um pai, da falta de afecto, das relações que trouxeram mais dor do que segurança e das responsabilidades que, pouco a pouco, foram tornando a sobrevivência mais urgente do que os sonhos.
Esta história não foi escrita para justificar escolhas erradas.
Também não foi escrita para condenar Biba.
Foi escrita para mostrar que, por detrás de muitas histórias que julgamos rapidamente, existe uma história que não conhecemos.
Porque, às vezes, antes de perguntarmos:
“O que essa pessoa fez?”
precisamos perguntar:
“O que aconteceu com essa pessoa?”
A história de Biba fala de dor, escolhas, consequências, maternidade, sobrevivência, julgamento, fé, perdão e transformação.
Mas, acima de tudo, fala de uma possibilidade:
o recomeço.
Porque o passado pode explicar muitas coisas, mas não precisa necessariamente escrever a última página da nossa história.
CAPÍTULO 1
ANTES DE BIBA NASCER
Antes da Biba nascer existia uma jovem mulher cheia de sonhos.
Quando a mãe da Biba era jovem, tinha planos para a sua vida e acreditava que o futuro poderia ser promissor. Como tantas outras jovens, sonhava estudar, construir uma carreira, ter uma família e viver dias melhores.
Foi nesse período que conheceu um rapaz.
O relacionamento começou como muitos outros começam: com proximidade, confiança, sentimentos e expectativas.
Mas aquela relação trouxe uma consequência que mudaria completamente a sua vida.
Ela engravidou.
A gravidez não fazia parte dos seus planos naquele momento. E, para piorar, o rapaz não assumiu a responsabilidade pela criança que estava a caminho.
De repente, os sonhos daquela jovem pareciam ter sido interrompidos.
Os estudos ficaram comprometidos. Os planos precisaram ser adiados. E, juntamente com a gravidez, veio o peso da rejeição.
Ela começou a enfrentar perguntas, críticas e olhares.
Como lidaria com aquela situação?
Como criaria uma criança sozinha?
Como continuaria a estudar?
Como reconstruiria os seus sonhos?
Em meio ao desespero, tomou uma decisão que hoje carregaria consigo como uma das partes mais dolorosas da sua história.
Tentou interromper a gravidez.
Mas não conseguiu.
A vida que estava dentro dela permaneceu.
E Biba nasceu.
Ela chegou ao mundo sem saber que, antes mesmo de respirar pela primeira vez, já existia uma história complicada ao seu redor.
Não tinha escolhido nascer.
Não tinha escolhido a ausência do pai.
Não tinha escolhido as dificuldades da mãe.
Não tinha escolhido as circunstâncias que marcaram os seus primeiros dias.
Ela simplesmente nasceu.
E talvez esta seja uma das primeiras verdades que precisamos compreender sobre qualquer ser humano:
uma criança nunca deve carregar a culpa pelas circunstâncias que antecederam o seu nascimento.
A mãe de Biba também sofreu.
Ser uma jovem mãe solteira trouxe-lhe rejeição, frustração e sonhos interrompidos. E uma pessoa ferida nem sempre consegue oferecer aos outros o amor que gostaria de oferecer.
Foi assim que, sem perceber, a dor da mãe começou a alcançar a filha.
Biba cresceu dentro de uma realidade que não compreendia completamente.
Ainda era pequena demais para entender os problemas dos adultos.
Mas crianças percebem quando são desejadas.
Percebem quando são acolhidas.
E também percebem quando existe distância.
Talvez Biba não soubesse explicar o que sentia.
Mas alguma coisa dentro dela começava a perguntar:
“Por que eu não recebo o amor que preciso?”
A resposta para essa pergunta demoraria muitos anos para aparecer.
“Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no ventre de minha mãe.”— Salmos 139:13
Biba não era um acidente aos olhos de Deus.
Mesmo quando os seres humanos não conseguem compreender uma história, Deus continua a conhecer a vida desde o princípio.
E aquela criança, que começou a vida cercada por rejeição e incerteza, ainda teria muitas páginas para viver.
Mas as primeiras marcas já estavam a ser formadas.
CAPÍTULO 2
UMA INFÂNCIA SEM O AMOR QUE PRECISAVA
Biba cresceu.
A infância deveria ser um lugar de segurança, carinho e descoberta.
Mas nem sempre foi assim.
A sua mãe carregava as próprias feridas. Tinha perdido oportunidades, enfrentado rejeição e precisado reconstruir a vida depois de uma gravidez que não fazia parte dos seus planos.
E, embora Biba não tivesse culpa de nada disso, acabou crescendo no meio das consequências.
Havia momentos em que a mãe cuidava dela.
Mas havia também momentos em que Biba sentia falta de algo que não sabia nomear.
Faltava-lhe aquela certeza interior de que era amada.
Ela observava outras crianças e, algumas vezes, perguntava-se por que a sua realidade parecia diferente.
Enquanto crescia, uma pergunta silenciosa começou a acompanhá-la:
“Será que alguém realmente me ama?”
Quando uma criança cresce sem receber a confirmação de que é importante, pode passar muitos anos procurando essa confirmação nos lugares errados.
Biba ainda não sabia disso.
Ela apenas queria sentir-se escolhida.
Queria sentir que alguém permaneceria.
Queria ouvir palavras que lhe dissessem:
“Tu és importante.”
Mas aquilo que não recebeu dentro de casa começaria, mais tarde, a procurar fora dela.
E essa procura influenciaria muitas das suas escolhas.
“Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá.”— Salmos 27:10
Talvez Biba ainda não conhecesse profundamente essa verdade.
Mas Deus já conhecia a menina que procurava amor.
E a história dela ainda estava apenas a começar.
CAPÍTULO 3
A AUSÊNCIA DO PAI
A ausência do pai foi uma das marcas mais profundas da infância de Biba.
Não era apenas a falta de uma pessoa dentro de casa.
Era a ausência de uma presença que ela desejava conhecer.
Havia perguntas que nunca receberam respostas.
Quem era ele?
Por que não ficou com a sua mãe ?
Porque nunca a procurou?
Será que algum dia pensou nela?
Será que ela era importante para ele?
À medida que Biba crescia, essas perguntas também cresciam.
Uma criança pode aprender a viver sem aquilo que não tem, mas isso não significa que a ausência não deixe marcas.
Biba aprendeu a seguir em frente.
Mas, dentro dela, continuava existindo um espaço que desejava ser preenchido.
E, mais tarde, quando começou a relacionar-se com homens, talvez não estivesse apenas à procura de um companheiro.
Talvez procurasse também, sem perceber, a sensação de segurança e aceitação que lhe faltara.
Queria alguém que ficasse.
Alguém que dissesse:
“Eu estou aqui.”
Mas nem sempre encontrou isso.
Algumas relações trouxeram decepções.
Outras trouxeram abandono.
E algumas deixaram feridas ainda mais profundas.
A ausência do pai não determinava quem Biba seria.
Mas influenciou a forma como ela passou a olhar para o amor, para o abandono e para o seu próprio valor.
“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus, no seu lugar santo.”— Salmos 68:5
A ausência humana não significa ausência de Deus.
Mas Biba ainda precisaria de tempo para descobrir isso.
CAPÍTULO 4
OS RELACIONAMENTOS
Biba queria ser amada.
Queria ter alguém ao seu lado.
Queria sentir que finalmente pertencia a uma família onde houvesse segurança e permanência.
Por isso, os relacionamentos passaram a ocupar um espaço importante na sua vida.
Ela acreditava que talvez, através de uma relação, encontrasse aquilo que sempre procurara.
Mas algumas das pessoas em quem depositou confiança acabaram por feri-la.
Vieram decepções.
Vieram traições.
Vieram momentos de violência.
Vieram promessas que não foram cumpridas.
E, depois de cada partida, permanecia a mesma pergunta:
“O que há de errado comigo?”
Quando alguém nos abandona repetidamente, podemos começar a acreditar que o problema está no nosso próprio valor.
Biba começou a carregar essa sensação.
Ela queria amor, mas encontrava instabilidade.
Queria segurança, mas encontrava medo.
Queria uma família, mas encontrava relações que não permaneciam.
E, com o passar do tempo, a situação tornou-se ainda mais complexa.
Biba tornou-se mãe.
Agora já não estava apenas a lutar pelas próprias necessidades.
Existiam outras vidas que dependiam dela.
E algumas necessidades não podiam esperar.
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”— Provérbios 4:23
Mas como guardar um coração que já tinha sido ferido tantas vezes?
Biba ainda precisaria aprender isso.
E a próxima fase da sua vida traria uma responsabilidade ainda maior.
CAPÍTULO 5
OS FILHOS
Biba tornou-se mãe de quatro filhos.
Cada criança trouxe consigo uma nova responsabilidade, mas também uma razão para continuar.
A maternidade não lhe trouxe apenas momentos de alegria.
Trouxe também preocupações.
Havia alimentação.
Havia roupa.
Havia educação.
Havia cuidados.
Havia protecção.
Havia tantas necessidades que, muitas vezes, pareciam maiores do que os recursos disponíveis.
Os relacionamentos não lhe tinham proporcionado a estabilidade que esperava. Alguns homens partiram, mas as responsabilidades permaneceram.
Os filhos continuavam a precisar dela.
E Biba precisava encontrar uma forma de continuar.
Ser mãe significava que não podia simplesmente desistir.
Mesmo cansada, precisava levantar-se.
Mesmo sem respostas, precisava procurar soluções.
Mesmo ferida, precisava continuar.
A maternidade tornou-se uma das maiores responsabilidades da sua vida.
Mas, ao mesmo tempo, as necessidades foram crescendo e as possibilidades diminuindo.
E chegou um momento em que Biba precisou tomar decisões difíceis para conseguir dinheiro.
Foi nesse contexto que a sobrevivência começou a falar mais alto.
“Eis que os filhos são herança do Senhor.”— Salmos 127:3
Biba ainda cometeria escolhas que trariam consequências.
Mas, antes de julgarmos essas escolhas, precisamos conhecer o caminho que a levou até elas.
CAPÍTULO 6
QUANDO A SOBREVIVÊNCIA FALOU MAIS ALTO
As necessidades não paravam.
Biba precisava de dinheiro.
As responsabilidades aumentavam e as oportunidades pareciam cada vez mais limitadas.
Foi nesse contexto que começou a prostituir-se.
No início, aquilo podia parecer apenas uma forma de conseguir dinheiro.
Uma solução para uma necessidade imediata.
Mas aquilo que começa como uma tentativa de sobrevivência pode, com o tempo, transformar-se numa rotina.
E a rotina pode começar a parecer uma identidade.
Biba passou a conviver com olhares, comentários e julgamentos.
Algumas pessoas viam apenas a mulher que se prostituía.
Mas por trás daquela mulher existia uma história.
Existia uma infância marcada por carência.
Existia a ausência de um pai.
Existiam relações dolorosas.
Existiam responsabilidades.
Existiam escolhas.
E existiam consequências.
Isso não significa dizer que todas as suas escolhas estavam certas.
Significa reconhecer que as escolhas humanas acontecem dentro de histórias concretas.
Biba havia chegado a um lugar que talvez, anos antes, jamais tivesse imaginado.
E agora precisava aprender a viver dentro daquela realidade.
CAPÍTULO 7
A ROTINA DE BIBA
Todos os dias tinham praticamente o mesmo começo.
Biba saía e dirigia-se para uma zona próxima de restaurantes e bares, onde procurava clientes.
À volta do meio-dia, o movimento começava a aumentar.
Alguns homens apareciam sozinhos.
Outros chegavam acompanhados.
Alguns demonstravam interesse imediatamente.
Outros simplesmente passavam.
Havia dias em que conseguia vários clientes.
Havia dias em que conseguia apenas alguns.
E havia dias em que não conseguia nenhum.
Mas mesmo quando não havia dinheiro, as necessidades continuavam.
O dia terminava, mas as preocupações não.
Biba precisava continuar a procurar uma maneira de sustentar a casa.
Foi assim que aquela rotina se tornou parte da sua vida.
Até que, num determinado dia, algo aconteceu.
Um homem que já a conhecia aproximou-se.
Biba pensou que ele fosse mais um cliente.
Mas aquele encontro seria diferente.
Muito diferente.
CAPÍTULO 8
O ENCONTRO QUE A FEZ FALAR
Naquele dia, Biba estava cansada.
Precisava de dinheiro e esperava conseguir algum cliente.
Foi então que viu aquele homem aproximar-se.
Ela já o conhecia.
Por isso, quando ele se aproximou, imaginou que sabia o motivo.
Depois de conversarem, Biba levou-o consigo.
Quando ele perguntou o preço, ela respondeu.
Precisava daquele dinheiro.
Precisava inclusive de comprar comida.
Mas, inesperadamente, o homem disse:
— Eu não vim aqui para aquilo que estás a pensar.
Biba ficou confusa.
— Então vieste fazer o quê?
Ele respondeu que queria conversar com ela.
Queria ajudá-la.
Queria mostrar-lhe que a vida podia ser diferente.
Falou-lhe sobre Deus.
Falou-lhe sobre dignidade.
Falou-lhe sobre a possibilidade de recomeçar.
Biba não estava preparada para ouvir aquilo.
Durante muito tempo, as pessoas tinham olhado para ela como uma profissão.
Aquele homem estava a olhar para ela como pessoa.
E, pela primeira vez em muito tempo, Biba sentiu que alguém queria ouvir a sua história antes de condená -la.
Os olhos encheram-se de lágrimas.
— Tu não sabes a minha história — disse ela.
Ele respondeu:
— Então conta-me.
E Biba começou a falar.
Naquele momento, uma porta foi aberta.
Não era a porta de um quarto.
Era a porta da sua história.
CAPÍTULO 9
A CONFISSÃO DE BIBA
Biba respirou fundo.
Durante anos, tinha aprendido a esconder muita coisa.
Mas naquele momento sentiu que podia falar.
Contou sobre a infância.
Falou da ausência do pai.
Falou da relação difícil com a mãe.
Falou dos relacionamentos que não deram certo.
Falou das traições.
Falou da violência.
Falou dos homens que partiram.
Falou dos filhos.
Falou das dificuldades.
E falou da prostituição.
Não tentou apresentar-se como vítima perfeita.
Também reconheceu que tinha feito escolhas.
Mas explicou que muitas dessas escolhas aconteceram quando se sentia sem alternativas.
— Eu estou cansada — disse.
O homem permaneceu em silêncio.
Ela continuou:
— As pessoas olham para mim e acham que conhecem a minha vida. Mas ninguém sabe o que eu vivi.
Naquele dia, Biba percebeu uma coisa importante:
ser ouvida pode ser o início de uma mudança.
Ela ainda não sabia como mudaria.
Ainda não sabia se conseguiria.
Mas, pela primeira vez, começou a imaginar que talvez existisse outro caminho.
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”— 1 Pedro 5:7
A história que Biba escondia começava finalmente a ser colocada diante de alguém.
E, depois de contar a sua história, surgiu uma pergunta:
Quem era, afinal, a mulher por trás daquela profissão?
CAPÍTULO 10
A MULHER POR TRÁS DA PROSTITUTA
Antes de ser prostituta, Biba tinha sido uma criança.
Antes de ser mãe, tinha sido filha.
Antes de aprender a sobreviver, tinha sido uma menina que precisava de amor.
Antes de usar o corpo para ganhar dinheiro, tinha aprendido a lidar com feridas emocionais.
Isso não apaga as escolhas que fez.
Mas ajuda a compreender a pessoa por trás delas.
Biba não era apenas aquilo que fazia.
Era também aquilo que tinha vivido.
Era uma mulher marcada por experiências difíceis, mas ainda capaz de escolher novos caminhos.
Compreender a história de alguém não significa aprovar todas as suas decisões.
Significa reconhecer que seres humanos são mais complexos do que os rótulos que colocamos sobre eles.
Foi por isso que aquele encontro começou a produzir uma pergunta dentro dela:
“Será que ainda posso tornar-me uma pessoa diferente?”
Talvez essa fosse a primeira pergunta de um novo capítulo.
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”— João 7:24
Biba ainda tinha muito a enfrentar.
E uma das maiores preocupações dizia respeito aos seus filhos.
CAPÍTULO 11
E OS FILHOS DE BIBA?
Até aqui, conhecemos a história de Biba.
Mas existe uma parte da história que não pode ser ignorada:
as crianças que cresceram ao lado dela.
Os filhos de Biba não escolheram as circunstâncias em que nasceram.
Não escolheram as dificuldades económicas.
Não escolheram os relacionamentos dos pais.
Não escolheram os julgamentos da sociedade.
E não escolheram o passado da mãe.
Ainda assim, cresceram dentro dessa realidade.
Uma criança precisa de alimento, educação, protecção e afecto.
Precisa também de oportunidades para construir o próprio futuro.
As dificuldades vividas dentro de uma família podem deixar marcas.
Mas uma história difícil não precisa determinar para sempre a história de uma nova geração.
Ciclos podem ser interrompidos.
Feridas podem ser tratadas.
Padrões podem ser quebrados.
E Biba ainda podia fazer escolhas diferentes.
Não podia apagar o passado.
Mas podia procurar ajuda.
Podia buscar novas oportunidades.
Podia aprender novas formas de educar.
Podia ensinar aos filhos valores diferentes.
Podia mostrar-lhes que dificuldades não determinam quem eles serão.
Um dia, talvez os seus filhos olhassem para trás e perguntassem:
“Que mulher foi a nossa mãe?”
A resposta não precisaria ser apenas sobre aquilo que ela tinha sido.
Poderia também falar sobre aquilo em que ela se tornou.
“Eis que os filhos são herança do Senhor.”— Salmos 127:3
A mudança de Biba não seria apenas sobre ela.
Poderia alcançar a geração que vinha depois dela.
CAPÍTULO 12
UM NOVO CAPÍTULO
Depois daquele encontro, Biba começou a pensar de maneira diferente.
Talvez a vida pudesse mudar.
Talvez existisse uma oportunidade.
Talvez Deus ainda tivesse algo para fazer na sua história.
Mas pensar diferente não era suficiente.
Ela precisaria tomar decisões diferentes.
Precisaria enfrentar os próprios medos.
Precisaria procurar oportunidades.
Precisaria reconstruir a sua vida pouco a pouco.
O homem que conversara com ela não prometeu que seria fácil.
Também não disse que as pessoas esqueceriam imediatamente o passado.
Disse apenas que um novo caminho podia começar.
Biba tinha 28 anos.
Ainda havia muito que aprender.
Ainda havia muito que reconstruir.
Mas também havia tempo para escrever novas páginas.
“Eis que faço uma coisa nova; agora sairá à luz.”— Isaías 43:19
Biba começou a compreender que recomeçar não significa fingir que o passado nunca aconteceu.
Significa decidir que o passado não terá a última palavra.
Mas logo descobriria que querer mudar e conseguir que os outros acreditassem nessa mudança eram duas coisas diferentes.
CAPÍTULO 13
AFINAL, QUEM É BIBA?
Quem é Biba?
É fácil responder olhando apenas para aquilo que ela fazia.
Mas a história mostrou que existe muito mais.
Biba é uma mulher que teve uma infância difícil.
É uma filha que cresceu sem a presença do pai.
É uma mulher que procurou amor em relacionamentos que lhe trouxeram dor.
É mãe de quatro filhos.
É alguém que tomou decisões difíceis.
É alguém que enfrentou consequências.
É alguém que sobreviveu.
E é também alguém que começou a desejar uma mudança.
A sua história não pode ser reduzida a uma única palavra.
Porque nenhuma pessoa é apenas o seu pior momento.
Compreender Biba não significa dizer que tudo o que ela fez estava certo.
Significa reconhecer que, por trás das escolhas, existem experiências, necessidades, feridas e responsabilidades.
E talvez a pergunta mais importante não seja apenas:
“O que Biba fez?”
Mas também:
“Quem Biba ainda pode tornar-se?”
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”— Romanos 3:23
Se todos precisamos de graça, então talvez também precisemos aprender a olhar para os outros com mais humanidade.
A mudança de Biba estava apenas a começar.
E o primeiro grande teste viria quando ela tentasse reconstruir a própria vida diante de uma sociedade que ainda se lembrava do seu passado.
CAPÍTULO 14
QUANDO O PASSADO NÃO QUER DEIXAR IR
Biba decidiu que precisava mudar.
Começou a procurar trabalho.
Não queria depender para sempre daquilo que tinha feito durante anos.
Certo dia, soube que uma pequena empresa estava à procura de alguém.
Para ela, aquela oportunidade parecia uma porta.
Preparou cuidadosamente a roupa.
Organizou os documentos.
Saiu de casa com esperança.
Enquanto caminhava, pensava:
“Talvez seja hoje que a minha vida começa a mudar.”
Chegou ao local e participou da entrevista.
No início, tudo parecia correr bem.
Até que alguém a reconheceu.
— Tu não és a Biba que trabalha naquela zona?
O coração dela apertou.
Ela poderia mentir.
Mas decidiu dizer a verdade.
— Sim, sou eu. Mas quero mudar.
A pessoa que estava diante dela ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
— Precisamos de alguém em quem possamos confiar.
Biba respirou fundo.
— Eu posso trabalhar. Estou disposta a aprender. Quero uma oportunidade.
Mas a resposta foi negativa.
Ela saiu dali com lágrimas nos olhos.
No caminho de volta, uma pergunta não saía da sua mente:
“Até quando vão julgar-me pelo que eu fui?”
Naquele dia, Biba aprendeu uma verdade dolorosa:
ela podia decidir mudar imediatamente, mas não podia obrigar os outros a confiar nela imediatamente.
A confiança seria reconstruída com tempo.
Com atitudes.
Com perseverança.
Com escolhas consistentes.
Quando chegou em casa, chorou.
Por alguns instantes, pensou em desistir.
Depois lembrou-se da conversa que teve com aquele homem que apareceu para falar sobre mudança.
Pegou na Bíblia.
Abriu-a.
Os seus olhos encontraram estas palavras:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”— 2 Coríntios 5:17
Biba ficou em silêncio.
Talvez o emprego tivesse sido recusado.
Mas isso não significava que o seu recomeço tivesse sido recusado.
Ela precisava continuar.
Porque reconstruir uma vida não acontece num único dia.
Acontece através de pequenas escolhas repetidas todos os dias.
O emprego tinha sido recusado.
Mas o recomeço, não.
CAPÍTULO 15
UMA NOVA CAMINHADA — A CURA DA ALMA
Biba percebeu que mudar apenas as circunstâncias externas não seria suficiente.
Ela precisava tratar aquilo que carregava dentro de si.
Precisava aprender a lidar com a culpa.
Com a vergonha.
Com a rejeição.
Com a raiva.
Com as memórias.
Com os pensamentos que diziam:
“Tu não tens valor.”
“Nunca vais conseguir mudar.”
“Deus não pode querer alguém como tu.”
Foi então que uma vizinha a convidou para ir à igreja.
Biba hesitou.
Tinha medo de ser julgada.
Mesmo assim, decidiu ir.
Sentou-se no último banco.
Permaneceu em silêncio.
Durante o culto, ouviu uma mensagem sobre graça, arrependimento e recomeço.
Uma frase chamou particularmente a sua atenção:
Deus não olha apenas para aquilo que uma pessoa foi; Ele também pode trabalhar naquilo que ela ainda pode tornar-se.
No final, uma irmã da igreja aproximou-se dela e disse:
— És muito especial para Deus, ele te ama.
Biba não respondeu.
Mas aquelas palavras permaneceram dentro dela.
Começou a frequentar a igreja.
Depois deu continuidade a leitura da Bíblia.
Começou também a orar.
No princípio, as suas orações eram curtas.
— Senhor, ajuda-me.
— Senhor, muda a minha vida.
— Senhor, cuida dos meus filhos.
Com o tempo, as orações tornaram-se mais profundas.
Ela começou a falar com Deus sobre aquilo que nunca conseguira dizer a ninguém.
A oração tornou-se um lugar onde podia respirar.
E percebeu que precisava de uma renovação interior.
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.”— Romanos 12:2
Biba começou a compreender que nem toda mudança acontece de repente.
Algumas mudanças começam na forma como pensamos.
Depois aparecem na forma como falamos.
Depois na forma como reagimos.
E, finalmente, tornam-se visíveis nas nossas escolhas.
Quando errava, aprendia a voltar para Deus.
Quando sentia medo, aprendia a orar.
Quando se lembrava do passado, aprendia a não permitir que ele definisse o seu futuro.
A igreja também começou a envolvê-la em pequenas actividades.
Ela ajudava a organizar o espaço, participava de reuniões de oração e começou a servir.
Pouco a pouco, começou a sentir que pertencia a algum lugar.
Certa vez, uma irmã disse-lhe:
— Biba, tu estás diferente.
Ela respondeu:
— Ainda tenho muito para mudar.
A irmã sorriu.
— Mas Deus já começou a obra.
Biba entendeu que a cura da alma não significava esquecer tudo o que havia vivido.
Significava aprender a viver sem permitir que as feridas controlassem cada decisão.
E a sua oração tornou-se simples:
“Senhor, cura aquilo em mim que eu não consigo curar sozinha.”
“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito recto.”— Salmos 51:10
Biba ainda não estava pronta.
Mas já não estava no mesmo lugar.
CAPÍTULO 16
O PERDÃO
A caminhada com Deus estava a ensinar Biba muitas coisas.
Mas havia uma área em que ainda sentia muita resistência:
o perdão.
Ela conseguia orar.
Conseguia ler a Bíblia.
Conseguia servir.
Mas quando pensava nas pessoas que a tinham ferido, a dor voltava.
Um dia, a igreja organizou um propósito que tinha como tema o perdão.
Cada participante deveria escrever os nomes das pessoas que haviam causado feridas na sua vida.
Depois, orariam entregando aquelas dores a Deus.
Biba segurou a caneta.
Mas não conseguia escrever.
Até que começou.
Escreveu o nome da mãe.
Depois pensou nos homens que tinham passado pela sua vida.
Pensou nos pais dos seus filhos.
Pensou em todas as pessoas que a tinham feito sentir-se rejeitada.
A lista ficou longa.
O pastor explicou:
— Perdoar não significa dizer que aquilo que fizeram foi certo. Não significa esquecer. Não significa voltar a confiar imediatamente. E não significa que precisas voltar para uma situação que te faça mal.
Perdoar significa entregar a Deus aquilo que já não queremos continuar a carregar.
Biba ouviu atentamente.
Depois lembrou-se de Jesus na cruz:
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”— Lucas 23:34
Naquela noite, em casa, Biba chorou.
Falou com Deus sobre a infância.
Falou sobre a mãe.
Falou sobre o pai ausente.
Falou sobre os relacionamentos.
Falou sobre os pais dos seus filhos.
E finalmente disse:
— Senhor, ajuda-me a perdoar.
O perdão não aconteceu como uma emoção mágica.
Foi uma decisão.
Biba começou pela mãe.
— Senhor, eu perdoo a minha mãe. Ajuda-me a deixar esta dor nas Tuas mãos.
No dia seguinte, tomou uma decisão simples.
Ligou para a mãe.
Quando ouviu a voz dela, disse:
— Mãe, eu amo-te.
A mãe ficou em silêncio.
Talvez também não soubesse como responder.
A relação não ficou perfeita naquele instante.
Mas uma porta foi aberta.
Biba também decidiu perdoar os pais dos seus filhos.
Não os procurou imediatamente.
Não restaurou automaticamente a confiança.
Apenas decidiu não continuar a viver presa à raiva.
Naquele dia compreendeu:
Perdoar não é apagar o passado. É impedir que o passado continue a governar o futuro.
CAPÍTULO 17
ESPÍRITO SANTO, TRANSFORMA-ME
Quanto mais Biba caminhava com Deus, mais percebia que precisava de uma transformação que não conseguiria produzir apenas com força de vontade.
Ela queria mudar.
Mas começou a compreender que não precisava tentar transformar-se sozinha.
Queria aprender a ouvir Deus.
Queria aprender a reagir de maneira diferente.
Queria deixar de responder à dor com mais dor.
Foi então que começou a buscar uma relação mais profunda com o Espírito Santo.
Nas situações difíceis, começou a fazer uma pergunta:
“Espírito Santo, o que queres ensinar-me nesta situação?”
Antes, reagia rapidamente.
Agora, procurava parar.
Antes, queria responder às pessoas que a julgavam.
Agora, aprendia a escolher o silêncio quando necessário.
Antes, a rejeição definia a sua identidade.
Agora, começava a compreender que o seu valor não dependia da opinião das pessoas.
Ela começou a ver-se como filha de Deus.
E percebeu que a transformação verdadeira também produzia frutos.
“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio.”— Gálatas 5:22-23
O domínio próprio tornou-se uma das maiores aprendizagens de Biba.
Ela descobriu que controlar-se não significava ser fraca.
Significava não permitir que qualquer emoção decidisse por ela.
Quando sentia raiva, orava.
Quando sentia medo, buscava Deus.
Quando era provocada, pensava antes de responder.
Quando se sentia rejeitada, lembrava-se de quem era.
A transformação também começou a aparecer na relação com a mãe.
Depois daquela conversa em que Biba disse “eu amo-te”, a mãe inicialmente permaneceu desconfiada.
Mas, com o passar do tempo, começou a perceber que alguma coisa realmente estava diferente.
Um dia, olhou para Biba e disse:
— Tu estás diferente.
Biba sorriu.
— Deus está a transformar-me.
A relação entre as duas não se tornou perfeita.
Mas tornou-se mais saudável.
Biba também passou a interceder pela família.
Orava pelos filhos.
Orava pela mãe.
Orava pelos irmãos.
Orava pelos pais dos seus filhos.
Orava até por pessoas que a tinham julgado.
Já não queria apenas que Deus mudasse as circunstâncias.
Queria que Deus transformasse pessoas.
E aprendeu três coisas importantes:
Amar não significa ser ingénua.
Perdoar não significa abandonar os limites.
Ter sabedoria não significa ter orgulho.
A transformação não eliminou todos os problemas.
Mas mudou a forma como Biba enfrentava os problemas.
A sua oração tornou-se:
“Espírito Santo, transforma-me.”
CAPÍTULO 18
QUANDO DEUS MUDA A HISTÓRIA
Biba começou a perceber que a sua história não terminaria nas páginas mais dolorosas.
Continuava a enfrentar dificuldades.
Mas agora tinha outra forma de olhar para elas.
Continuava a cuidar dos filhos.
Continuava a servir na igreja.
Participava de trabalhos sociais, ajudava pessoas necessitadas, visitava doentes e oferecia palavras de esperança.
A mulher que um dia precisava desesperadamente de ser ouvida começava agora a aprender a ouvir outras pessoas.
A mulher que precisava de esperança começava a oferecer esperança.
Foi nesse novo período que conheceu Mateus.
Mateus também carregava uma história dolorosa.
Era viúvo e tinha perdido a esposa num acidente trágico.
Não era alguém que estivesse simplesmente à procura de outra pessoa.
Também estava num processo de cura.
Os dois começaram a encontrar-se através das actividades da igreja.
Conversavam.
Partilhavam experiências.
Participavam de estudos bíblicos e momentos de oração.
Biba não estava à procura de um relacionamento.
Depois de tudo o que vivera, não queria voltar a escolher alguém apenas porque tinha medo de ficar sozinha.
Mateus também precisava de tempo.
Certo dia, durante uma conversa, ele confessou:
— Tenho medo de voltar a amar.
Biba respondeu:
— Não precisas ter pressa.
Ele olhou para ela.
— Tu mudaste muito, Biba.
Ela sorriu.
— Ainda estou a mudar.
Mateus respondeu:
— Talvez seja isso que eu admiro em ti.
Biba ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois disse:
— Então não procures primeiro numa pessoa. Procura em Deus.
Aquelas palavras ficaram entre os dois.
Havia um sentimento começando a nascer.
Mas Biba não queria repetir os erros do passado.
Uma noite, ficou acordada pensando.
Lembrou-se dos homens que haviam prometido amor e depois partiram.
Pensou:
“E se acontecer outra vez?”
Mas havia outra pergunta ainda mais profunda:
“E se eu deixar o medo decidir por mim?”
Pegou na Bíblia e lembrou-se das palavras:
“Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”— 2 Coríntios 5:17
Então orou:
— Senhor, eu ainda tenho medo. Mas não quero que o medo seja o meu senhor. Se houver um novo capítulo para mim, escreve Tu. Se não houver, ensina-me também a ficar em paz.
No dia seguinte, Biba conversou com Mateus.
— Gosto de conversar contigo — disse ela. — Mas quero fazer as coisas de maneira diferente.
— Como?
— Quero que comecemos pela amizade. Quero oração, respeito e tempo. Não quero promessas vazias. Não quero que nenhum de nós entre numa relação apenas por causa da solidão.
Mateus concordou.
— Eu também quero fazer assim.
Naquele momento, não houve grandes promessas.
Houve apenas uma decisão:
não correr.
Biba compreendeu que nem toda porta aberta precisa ser atravessada imediatamente.
Algumas portas precisam primeiro ser examinadas.
Alguns sentimentos precisam de tempo.
Algumas relações precisam de oração.
E algumas decisões precisam de Deus antes de precisarem de respostas.
Naquela noite, Biba voltou a orar:
— Senhor, o que queres ensinar-me através desta relação?
Ela já não perguntava apenas:
“Será que Mateus gosta de mim?”
Agora perguntava:
“Será que esta relação pode estar dentro do propósito que tens para a minha vida?”
Essa era uma nova Biba.
Não uma mulher sem passado.
Mas uma mulher que aprendera a não permitir que o passado governasse todas as suas decisões.
A história de Biba ainda não tinha terminado.
Mas agora ela sabia que não precisava escrever cada capítulo sozinha.
Deus ainda estava a escrevendo a sua história.
O RECOMEÇO
A história de Biba começou marcada por rejeição.
Passou pela ausência.
Conheceu a carência.
Encontrou relacionamentos dolorosos.
Conheceu a maternidade.
Enfrentou dificuldades.
Fez escolhas.
Sofreu consequências.
Foi julgada.
Mas também encontrou uma oportunidade de recomeçar.
A sua transformação não aconteceu de um dia para o outro.
Foi um caminho.
Houve lágrimas.
Houve dúvidas.
Houve quedas.
Houve momentos de medo.
Houve portas fechadas.
Houve pessoas que demoraram a acreditar.
Mas houve também fé.
Houve perdão.
Houve cura.
Houve mudança.
E houve Deus.
A história de Biba ensina-nos que não devemos definir uma pessoa apenas pelo capítulo que encontramos.
Talvez alguém esteja a viver hoje o capítulo mais difícil da sua vida.
Mas isso não significa que esse seja o último.
Por isso, antes de julgarmos, precisamos ouvir.
Antes de condenarmos, precisamos compreender.
Antes de desistirmos de alguém, precisamos lembrar que ainda pode existir um processo acontecendo dentro daquela pessoa.
E, acima de tudo, precisamos lembrar:
há pessoas que precisam de uma oportunidade para recomeçar.
Biba não pode voltar ao passado.
Não pode apagar as escolhas que fez.
Não pode mudar as pessoas que a abandonaram.
Mas pode escolher o que fará com as páginas que ainda tem pela frente.
E talvez essa seja a maior mensagem desta história:
O passado pode fazer parte da nossa história sem ser o dono do nosso futuro.
Para reflectir
Que parte da tua história ainda estás a permitir que determine quem és?
Talvez hoje seja o momento de entregar essa página a Deus.
Porque, quando Deus muda uma história, Ele não apaga o passado.
Ele transforma o significado do que virá depois.
Liandra Langa







