Estudantes participaram numa roda de conversa marcada por experiências, questionamentos e reflexões sobre relações entre homens e mulheres
Machava Sede — Falar sobre Violência Baseada no Género (VBG) também significa abrir espaço para ouvir os jovens, questionar ideias enraizadas e promover relações baseadas no respeito, diálogo e igualdade.
Foi com esse propósito que estudantes da Machava Sede participaram numa actividade de sensibilização sobre Violência Baseada no Género, que contou com a participação do artista nacional Ziqo, convidado para partilhar experiências e interagir directamente com os alunos.
A actividade proporcionou um ambiente de diálogo aberto, no qual os estudantes puderam apresentar as suas opiniões, levantar questões e partilhar experiências relacionadas com situações de violência e conflitos nas relações.
🎤 Liandra Langa participa como Mestre de Cerimónias
A actividade contou igualmente com a participação de Liandra Langa, que teve a responsabilidade de conduzir o evento na qualidade de Mestre de Cerimónias (MC).
Para Liandra, a participação representou uma oportunidade importante de contribuir para uma conversa que envolve directamente os jovens e a sociedade.
“Fiquei muito grata por ter participado como MC deste evento. Foi uma experiência enriquecedora, principalmente por poder acompanhar a participação dos estudantes e ouvir as suas diferentes experiências e opiniões sobre a Violência Baseada no Género.”
Quando o debate ganhou força
Um dos momentos mais marcantes aconteceu durante a roda de conversa, quando os participantes começaram a discutir questões relacionadas com os papéis atribuídos ao homem e à mulher dentro de uma relação.
Entre as perguntas levantadas estavam:
- Qual deve ser o papel do homem e da mulher numa relação?
- O homem pode chorar?
- Será que o ciúme é uma forma de amar?
- Uma mulher que usa uma saia curta está a provocar os homens?
As perguntas provocaram diferentes reacções entre os estudantes e deram origem a um debate bastante participativo.
“Homem não deve chorar?”
A questão sobre o choro masculino foi uma das que mais aqueceu a conversa.
Alguns participantes defenderam inicialmente a ideia de que o homem deveria evitar chorar, enquanto outros questionaram essa forma tradicional de pensar.
A discussão levou os estudantes a reflectirem sobre a ideia de que demonstrar emoções não torna um homem menos homem.
No final, prevaleceu uma mensagem importante: o homem também pode chorar.
Chorar é uma manifestação de emoções humanas e não deve ser automaticamente associado à fraqueza. Criar espaços onde rapazes e homens possam falar sobre aquilo que sentem pode contribuir para relações mais abertas e para uma melhor comunicação.
Ciúme é amor?
Outro tema que despertou bastante interesse foi o ciúme.
Os estudantes foram convidados a reflectir sobre a diferença entre uma preocupação ou insegurança numa relação e comportamentos de controlo que podem transformar-se em violência.
A discussão procurou mostrar que amar não significa controlar, humilhar, ameaçar ou limitar a liberdade do outro.
A roupa da mulher justifica a violência?
A discussão sobre o uso de saia curta também provocou diferentes opiniões.
A pergunta — “Usar uma saia curta é uma provocação para os homens?” — abriu espaço para uma reflexão sobre responsabilidade individual, respeito e a necessidade de não justificar comportamentos violentos pela forma como alguém se veste.
O debate mostrou que questões relacionadas com género continuam a despertar opiniões diferentes, mas também demonstrou a importância de conversar sobre elas num ambiente educativo e respeitoso.
A voz dos estudantes
Mais do que simplesmente ouvir palestrantes, os estudantes tiveram espaço para falar, questionar e partilhar as suas próprias experiências.
A participação dos jovens tornou a actividade numa verdadeira roda de conversa, permitindo que diferentes perspectivas fossem apresentadas e discutidas.
A iniciativa reforçou a importância de envolver os estudantes nas discussões sobre Violência Baseada no Género, uma vez que são também parte fundamental da construção de relações mais saudáveis e respeitosas na sociedade.
Uma experiência de reflexão
A actividade terminou deixando uma mensagem que vai para além daquele espaço de debate: combater a Violência Baseada no Género começa também pela forma como homens e mulheres aprendem a relacionar-se, comunicar e respeitar os seus limites e direitos.
Para Liandra Langa, a experiência fica marcada não apenas pela oportunidade de conduzir o evento, mas sobretudo pela possibilidade de ouvir os jovens e testemunhar a sua participação.
“Foi uma experiência que me deixou muito grata. Quando damos espaço aos jovens para falar, descobrimos que eles têm muito a dizer e que também podem contribuir para a construção de uma sociedade com mais respeito, diálogo e harmonia.”




