- Já parou para pensar por que você nasceu?
- Qual é a razão da sua existência?
- Que necessidade você veio responder nesta terra?
Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força ( Nehemias 8:10)
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
NASCI PARA RESPONDER A UMA NECESSIDADE NA TERRA
terça-feira, 11 de abril de 2023
IDENTIDADE 🆔 EM CRISTO JESUS
Descubra quem você é em Deus
«“Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17»
🌿 Uma pergunta que pode transformar a sua vida
Quem é você?
Talvez esta pareça uma pergunta simples. Afinal, sabemos o nosso nome, onde nascemos, quem são os nossos pais, onde vivemos e tantas outras informações sobre nós.
Mas existe uma pergunta muito mais profunda:
Quem você é em Cristo Jesus?
É sobre isso que quero conversar com você.
Se chegou até aqui, talvez esteja à procura de respostas, de direção ou até de uma nova compreensão sobre a sua própria vida.
Então, permita-se parar por alguns minutos e olhar para dentro de si.
Você sabe realmente quem é?
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🪪 O QUE É IDENTIDADE?
Identidade é aquilo que nos permite reconhecer quem somos. É o conjunto de características que nos identifica.
Mas a nossa identidade vai muito além de um nome, de uma profissão, de uma aparência ou daquilo que as pessoas dizem sobre nós.
Existe uma identidade que nasce da nossa relação com Deus.
Você não está nesta terra por acaso. A sua existência tem propósito.
Talvez, por falta de conhecimento e entendimento, você tenha vivido como se a sua passagem por este mundo não fosse importante. Mas não desperdice a vida que Deus lhe concedeu.
Viva de maneira que a sua existência deixe uma marca positiva nas próximas gerações.
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✨ ANTES DE FAZER, É PRECISO SER
No livro de Atos dos Apóstolos 1:1, encontramos uma referência àquilo que Jesus começou a fazer e ensinar.
Existe uma lição importante aqui:
SER → FAZER → ENSINAR
Jesus não ensinava apenas aquilo que sabia. Ele ensinava aquilo que vivia. As Suas ações estavam alinhadas com quem Ele era.
Por isso, antes de perguntar:
“O que devo fazer?”
talvez seja necessário perguntar:
“Quem estou me tornando?”
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🌱 SER
Em Cristo, somos chamados a uma nova vida.
2 Coríntios 5:17 apresenta uma das verdades mais poderosas da fé cristã:
«“Se alguém está em Cristo, nova criatura é.”»
Quando compreendemos quem somos em Deus, a nossa maneira de pensar começa a mudar.
As nossas palavras mudam.
As nossas atitudes mudam.
As nossas escolhas mudam.
A nossa maneira de tratar as pessoas muda.
Porque aquilo que somos por dentro começa a refletir-se naquilo que fazemos por fora.
A transformação começa no interior.
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🙌 FAZER
Depois de ser, vem o fazer.
As nossas ações são uma expressão daquilo que existe dentro de nós.
Jesus realizou milagres, curou pessoas, ensinou, serviu e demonstrou amor.
Se somos uma nova criatura em Cristo, as nossas ações também precisam refletir essa nova realidade.
Não basta dizer que somos cristãos.
A nossa vida precisa confirmar aquilo que os nossos lábios professam.
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📖 ENSINAR
Jesus não apenas fazia; também ensinava.
E ensinava com autoridade porque vivia aquilo que pregava.
Essa é uma grande responsabilidade para quem ensina outras pessoas. Não podemos transmitir apenas teorias. Precisamos ensinar através daquilo que vivemos. A nossa vida também é uma mensagem.sA pessoas podem esquecer aquilo que dissemos, mas muitas vezes lembrarão daquilo que viram em nós.
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❤️ DIGA-ME: QUEM VOCÊ É?
Jeremias 1:5 diz: «“Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei.”»
Que declaração poderosa!
Antes que outras pessoas tivessem uma opinião sobre você, Deus já o conhecia.
Antes que alguém colocasse um rótulo sobre a sua vida, Deus já conhecia a sua história.
Por isso, não permita que a opinião das pessoas seja maior do que aquilo que Deus diz sobre você.
É muito fácil falar sobre os outros.
Difícil é olhar para dentro de nós mesmos e responder:
Quem sou eu?
Será que você conhece a sua verdadeira identidade?
Ou será que tem vivido de acordo com os rótulos que recebeu?
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🌍 QUANDO O MUNDO TENTA MUDAR A NOSSA IDENTIDADE
Amado leitor, se você é filho de Deus, foi chamado para influenciar o mundo e não para ser dominado por ele.
Vivemos num tempo em que muitas pessoas frequentam a igreja, participam dos cultos, ofertam, dizimam e cumprem as atividades religiosas, mas continuam vivendo exatamente como antes.
Dentro da igreja são uma pessoa. Fora dela, outra. E isso nos leva a uma pergunta muito séria:
Será que entrámos no evangelho, mas o evangelho ainda não entrou em nós?
É como a imagem do povo que saiu do Egito, mas precisava permitir que o Egipto também saísse do seu coração.
Sair de um lugar é diferente de deixar aquele lugar sair de dentro de nós.
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🔥 O EXEMPLO DE DANIEL
Daniel viveu numa sociedade cheia de influências contrárias aos seus valores. Ele tinha motivos para se adaptar. Tinha motivos para ceder. Tinha motivos para fazer como todos faziam. Mas decidiu permanecer fiel.
Daniel 1:8 mostra que Daniel tomou uma decisão no coração de não se contaminar.
Ele sabia quem era.
Daniel não permitiu que o ambiente determinasse a sua identidade.
E você?
Quem você é quando ninguém está olhando?
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🌱 EM CRISTO, VOCÊ PODE COMEÇAR DE NOVO
Talvez o seu passado tenha sido marcado por erros.
Talvez tenha tomado decisões das quais se arrepende.
Talvez carregue culpa, vergonha ou lembranças que gostaria de apagar.
Mas o seu passado não precisa ser o seu endereço permanente.
Em Cristo, existe uma nova realidade.
Você não precisa continuar escravo dos velhos hábitos.
Você não precisa permitir que os seus erros definam quem você é.
Gálatas 2:20 declara: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.”»
Que transformação!
Quando Cristo começa a ocupar o centro da nossa vida, começamos a compreender que alguns comportamentos simplesmente já não combinam com a pessoa que estamos nos tornando.
Se antes vivíamos na fofoca, precisamos aprender a abandonar a fofoca.
Se antes éramos dominados pelo orgulho, precisamos aprender a viver em humildade.
Se antes feríamos as pessoas com as nossas palavras, precisamos aprender a falar com amor.
Não porque queremos simplesmente parecer bons diante dos outros, mas porque a nossa nova identidade exige uma nova maneira de viver.
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⚠️ CUIDADO COM AQUILO QUE TENTA DOMINAR VOCÊ
O mundo oferece muitas coisas que parecem proporcionar felicidade imediata.
Dinheiro.
Prazer.
Festas.
Bebidas.
Drogas.
Relacionamentos.
Reconhecimento.
Sucesso.
Mas aquilo que parece liberdade pode transformar-se em escravidão quando passa a dominar o nosso coração.
A pessoa começa querendo pouco e termina querendo sempre mais.
Mais dinheiro.
Mais prazer.
Mais reconhecimento.
Mais satisfação.
Mais e mais...
E, mesmo assim, continua existindo um vazio.
Porque somente aquilo que Deus coloca dentro de nós pode preencher verdadeiramente a nossa vida.
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🙏 HOJE VOCÊ PODE ESCOLHER UMA NOVA VIDA
Talvez você tenha chegado até aqui sem saber exatamente porquê.
Mas talvez este seja o momento de Deus lhe lembrar:
Você não está sozinho.
Você não está esquecido.
A sua vida tem valor.
A sua história ainda pode ser transformada.
João 1:12 declara: «“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.”»
Que privilégio!
Ser filho de Deus.
E Jesus nos lembra em João 15:5:
«“Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”»
Sem Jesus, podemos até conquistar muitas coisas.
Mas é em Cristo que encontramos o verdadeiro sentido da nossa caminhada.
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💭 PARE E REFLITA
Antes de terminar, quero deixar algumas perguntas para você:
Quem sou eu?
O que tem definido a minha identidade?
A opinião das pessoas ou a Palavra de Deus?
O meu passado ou aquilo que Cristo está fazendo em mim?
Tenho sido influenciado pelo mundo ou tenho influenciado o mundo através da minha vida?
As minhas atitudes refletem aquilo que digo acreditar?
Pense nisso.
Talvez uma simples resposta possa marcar o início de uma grande transformação.
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🙏 FAÇA UMA ORAÇÃO SINCERA
Se chegou até aqui, feche os olhos por alguns instantes e converse com Deus.
Peça-Lhe que revele quem você é n'Ele.
Fale sobre as suas imperfeições.
Entregue os seus medos.
Confesse aquilo que precisa ser transformado.
E peça um novo coração.
Você pode orar assim:
«“Senhor, guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação. Revela-me quem sou em Ti. Ajuda-me a abandonar tudo aquilo que não corresponde à minha nova identidade. Dá-me um coração novo, transforma os meus pensamentos, as minhas palavras e as minhas atitudes. Ensina-me a viver de acordo com a Tua vontade e a refletir Cristo através da minha vida. Em nome de Jesus. Amém.” 🙏»
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🌹 PARA GUARDAR NO CORAÇÃO
Você não nasceu por acaso.
Existe um propósito para a sua vida.
Não permita que o mundo defina quem você é.
Não permita que o seu passado determine o seu futuro.
Não permita que os rótulos das pessoas sejam maiores do que a voz de Deus.
Conheça a sua identidade.
Permaneça firme em Cristo.
Viva aquilo que você crê.
Faça o bem.
Ensine pelo exemplo.
Deixe um legado.
Porque, no final, a pergunta não será apenas:
“O que eu fiz?”
Mas também:
“Quem eu me tornei enquanto fazia?”
Que Deus nos ajude a viver cada dia como verdadeiros filhos Seus, refletindo o amor de Cristo e deixando marcas que apontem para Ele.
Dia abençoado por Deus! 🙏❤️
Liandra Langa
A Alegria de Viver ❤️
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
A SENTENÇA DA OUTRA
INTRODUÇÃO
A vida é feita de momentos de alegria, conquistas, lágrimas, perdas, desafios e recomeços. Em meio a tudo isso, aprendemos que ser vencedor não significa viver sem problemas, mas permanecer de pé mesmo quando as circunstâncias parecem querer derrubar-nos.
Foi com esse pensamento que nasceu esta história.
Uma família pode ser construída com muito amor, sacrifício, oração e dedicação. Pais podem educar os seus filhos segundo princípios cristãos, ensinando-lhes a importância da fidelidade, do respeito, da honestidade e do temor a Deus. Porém, quando chegam à vida adulta, cada pessoa precisa decidir por si mesma que caminho seguirá.
Maria Coana acreditava ter construído uma família sólida. Desde cedo aprendera a valorizar o casamento e a colocar Deus no centro da sua vida.
Muitas vezes, diante das dificuldades, repetia para si mesma:
“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” Filipenses 4:13
Ela acreditava que, com Deus, conseguiria enfrentar qualquer situação.
Mas ninguém imagina o que pode acontecer quando a pessoa que prometeu caminhar ao nosso lado decide seguir por outro caminho.
O adultério é uma ferida profunda. Ele não destrói apenas a confiança entre duas pessoas; pode atingir filhos, famílias e até relações construídas durante muitos anos.
A Bíblia é clara ao condenar o adultério:
“Não adulterarás.” Deuteronómio 5:18
E Jesus ensinou:
Mas o que acontece quando um casamento é atingido pela infidelidade?
O que acontece quando a pessoa traída, em vez de procurar cura, decide procurar vingança?
Até onde pode chegar alguém ferido pela traição?
E o que acontece quando, na tentativa de recuperar aquilo que perdeu, a pessoa abandona os princípios que um dia dizia defender?
Esta é a história de Maria Coana, uma mulher que acreditava conhecer o caminho da sua vida, mas que, depois de descobrir a traição do marido, entrou num caminho de dor, revolta e vingança.
É também a história de António, um homem que, apesar de conhecer a sua responsabilidade dentro do casamento, permitiu que uma escolha errada colocasse em risco tudo o que havia construído.
E é a história de Katy, uma mulher cuja vida difícil a ensinou a lutar pela sobrevivência, mas que também tomou decisões capazes de ferir outras pessoas.
Nenhum dos personagens é simplesmente vítima ou vilão. Cada um carrega uma história, escolhas, fraquezas e consequências.
A SENTENÇA DA OUTRA é uma história de traição, dor, tradição, fé, escolhas e consequências.
Os nomes utilizados são fictícios, e alguns acontecimentos foram inspirados em situações que podem ser encontradas na realidade.
Que esta história sirva não apenas para entreter, mas também para provocar reflexão.
Porque, algumas vezes, aquilo que pensamos ser uma vitória pode ser apenas o começo de uma grande batalha.
CAPÍTULO I
UMA FAMÍLIA, UMA ROTINA E UMA TENTAÇÃO
Maria Coana tinha 36 anos e era conhecida no bairro pela sua dedicação à família.
Estava casada com António, de 45 anos, havia seis anos. Juntos tinham quatro filhos.
Maria era dona de casa e, para ajudar nas despesas, vendia alguns produtos básicos no quintal. António era funcionário público e passava grande parte do dia no trabalho. Viviam em Inhagoia, na cidade de Maputo.
Maria nascera e crescera em Gaza, numa família tradicional. Desde pequena, aprendera que uma mulher deveria respeitar profundamente o marido e cuidar da casa.
A mãe ensinara-lhe muitas coisas.
Quando o marido chegasse, deveria encontrar a casa organizada. Quando fosse tomar banho, Maria preparava a água. Quando chegasse a hora da refeição, a comida deveria estar pronta.
Maria cresceu acreditando que aquilo era uma das principais formas de demonstrar amor e respeito.
Todos os dias repetia a mesma rotina.
António chegava do trabalho, tomava banho, jantava e, por volta das 20 horas, sentava-se para assistir ao Jornal Nacional.
Depois, os filhos queriam assistir às suas novelas e programas preferidos. António, cansado, retirava-se para descansar. Maria ficava.
Ainda precisava arrumar a cozinha, cuidar das crianças, organizar a casa e resolver as pequenas tarefas que pareciam nunca terminar.
Muitas vezes, só conseguia comer depois de todos terem terminado. Com o passar do tempo, o casamento começou a perder algumas das pequenas atenções que existiam no início. Maria estava cansada.
Entre os filhos, a casa e o pequeno negócio, sentia que não tinha tempo nem energia para si mesma.
António, por outro lado, sentia falta da proximidade que existia entre eles nos primeiros anos.
O problema não era apenas físico. Era emocional. Os dois estavam cada vez mais distantes, embora continuassem vivendo debaixo do mesmo teto. António era conhecido como um homem reservado. Ia à igreja, trabalhava e gostava de permanecer em casa. Tinha poucos amigos.
O seu amigo mais próximo era Raul, conhecido desde os tempos de infância. Mas tudo começou a mudar depois de algumas conversas no trabalho.
Certo dia, durante o almoço, António estava com dois colegas, Crimildo e Salomão.
A conversa acabou chegando aos relacionamentos.
Crimildo falava abertamente sobre a sua vida conjugal.
— Lá em casa, eu e a minha esposa conversamos sobre tudo — dizia ele. — Até sobre aquilo que cada um espera do casamento.
Salomão tinha uma opinião diferente.
— Mulher não deve tomar muita iniciativa — comentou.
António permanecia calado, apenas ouvindo.
A conversa ficou na sua cabeça durante todo o dia.
Quando chegou a casa, olhou para Maria de uma maneira diferente.
Pensou que talvez precisasse fazer alguma coisa para aproximá-los novamente.
No dia seguinte, comprou uma peça de roupa íntima vermelha para oferecer à esposa.
Queria surpreendê-la.
À noite, entregou-lhe o presente.
Maria olhou para a peça e ficou constrangida.
— António, onde arranjaste isso?
— Comprei para ti.
Ela ficou em silêncio.
— Não gosto dessas coisas — respondeu.
António tentou explicar que queria apenas quebrar a rotina e aproximar-se dela.
Mas Maria, influenciada pelos ensinamentos tradicionais que recebera, respondeu:
— A minha mãe sempre me ensinou que esse tipo de roupa não era para uma mulher casada usar.
António ficou frustrado.
A conversa transformou-se numa discussão.
Depois daquela noite, algo mudou dentro dele.
No trabalho, José percebeu que António estava diferente.
— O que se passa contigo?
— Nada.
— Não parece. Estás sempre distraído.
José insistiu.
— Talvez precises sair um pouco. Conhecer pessoas. Distrair-te.
António recusou inicialmente.
— Não preciso disso. Tenho a minha família.
Mas José não desistiu.
Numa sexta-feira, conseguiu convencê-lo a sair.
Foram para uma zona de barracas na região do Museu, onde havia movimento, música e muita gente.
António sentia-se deslocado.
Não era o seu ambiente.
Foi então que conheceu Katy.
Ela aproximou-se com um sorriso.
Conversaram.
Inicialmente, nada parecia perigoso.
Mas, pouco a pouco, António começou a sentir-se atraído por aquela mulher.
Katy percebeu.
E também percebeu outra coisa:
António era casado.
CAPÍTULO II
QUANDO A CONFIANÇA COMEÇA A MORRER
Katy era uma jovem bonita, comunicativa e determinada.
A sua vida, porém, não tinha sido fácil.
Perdera os pais ainda jovem e precisou assumir responsabilidades muito cedo. Tinha irmãos mais novos para ajudar e pouca oportunidade de estudar.
A pobreza obrigou-a a amadurecer rapidamente.
Entrou em relacionamentos muito cedo e teve filhos de pais diferentes. Duas uniões não deram certo.
Para sobreviver e sustentar os filhos, começou a relacionar-se com homens mais velhos e financeiramente estáveis.
Foi assim que conheceu João, um empresário de origem asiática.
João nunca escondeu que era casado.
Disse-lhe desde o início que amava a esposa, mas queria manter uma relação fora do casamento.
Katy aceitou.
Com o tempo, João ajudou-a a abrir uma pequena boutique de roupas femininas.
A partir daí, a sua vida melhorou.
Katy passou a morar numa casa arrendada em Maputo, tinha uma empregada doméstica e conseguia sustentar melhor os filhos.
Nas sextas-feiras, costumava frequentar lugares onde podia conhecer homens com capacidade financeira.
Foi num desses lugares que encontrou António.
Ela percebeu rapidamente que ele era diferente dos homens que normalmente conhecia.
António tinha emprego, família e estabilidade.
Para Katy, aquilo representava uma oportunidade.
Para António, Katy representava uma fuga.
E foi assim que começou uma relação que nenhum dos dois deveria ter iniciado.
A aproximação tornou-se cada vez maior.
António começou a esconder mensagens, chamadas e encontros.
Até que, numa noite, ultrapassou definitivamente os limites do casamento.
Quando regressou a casa, já era tarde.
Maria estava acordada, esperando por ele.
Ele entrou cansado, com sinais de ter bebido.
Maria aproximou-se.
Foi então que percebeu algo estranho.
Havia perfume de mulher na roupa dele.
E uma marca de batom.
Maria ficou imóvel.
Não perguntou imediatamente.
Preferiu esperar.
Talvez estivesse enganada.
Talvez houvesse uma explicação.
Mas aquela dúvida começou a consumir-lhe o coração.
Na manhã seguinte, António só voltou para casa por volta das nove horas.
Maria não aguentou.
— Onde estiveste?
— No serviço.
— Desde ontem?
António ficou irritado.
— Já disse que estava fora.
Maria olhou para ele.
— E esse perfume?
Ele não respondeu.
— E o batom?
Silêncio.
Maria sentiu os olhos encherem-se de lágrimas.
— Onde foi que eu errei?
António continuou calado.
— O que fiz para merecer isso? Dei-te quatro filhos. Nunca te traí. Sempre cuidei desta casa. Sempre procurei respeitar-te.
A voz dela tremia.
— Quem é essa mulher? O que ela tem que eu não tenho?
António perdeu a paciência.
— Para de fazer perguntas!
Maria recuou.
Não porque tivesse entendido a situação, mas porque naquele momento percebeu que o homem que conhecia já não estava diante dela da mesma maneira.
Mais tarde, uma vizinha chamada Joana apareceu.
Joana era conhecida no bairro por saber de tudo o que acontecia.
Durante a conversa, começou a contar histórias sobre uma mulher chamada Lúcia e sobre homens casados que frequentavam determinados lugares.
Maria ouvia em silêncio.
As palavras de Joana pareciam confirmar os seus maiores medos.
Naquela noite, António recebeu uma mensagem.
Era Katy.
“Oi, amor. Senti a tua falta.”
António levantou-se discretamente e foi para a sala.
Maria estava deitada, mas ainda não dormia.
Ouviu-o falar baixinho.
— Também sinto a tua falta.
Maria fechou os olhos.
As lágrimas começaram a escorrer.
Naquele momento, a sua dor deixou de ser apenas uma suspeita.
Ela sabia que havia outra mulher.
CAPÍTULO III
A DOR QUE SE TRANSFORMA EM VINGANÇA
Eram duas horas da madrugada.
Maria levantou-se.
Encontrou António sentado na sala, segurando o telemóvel.
— Estás a falar com ela?
António levantou os olhos.
— Com quem?
— Não mintas.
Ele ficou em silêncio.
Maria sentiu uma mistura de vergonha, raiva e humilhação.
Durante anos, acreditara que o seu casamento era protegido pela fé.
Agora, sentia que tudo estava a desmoronar.
Voltou para o quarto.
Naquela noite não conseguiu dormir.
Pensou nos filhos.
Pensou nos anos de casamento.
Pensou em todas as vezes que sacrificara os próprios desejos pela família.
E então surgiu dentro dela um pensamento perigoso:
vingança.
Queria que António sentisse a mesma dor.
Queria que ele voltasse para casa.
Queria que aquela outra mulher desaparecesse da vida dele.
Maria lembrou-se de uma conversa antiga, na qual ouvira alguém falar sobre formas tradicionais de prender emocionalmente um homem.
O pensamento ficou na sua cabeça.
Na manhã seguinte, ligou para Madalena, uma amiga de infância.
— Preciso de falar contigo.
— O que aconteceu?
Maria contou tudo.
Madalena ficou em silêncio por alguns segundos.
— Conheço alguém que talvez possa ajudar.
— Quem?
— Avó Guida.
Maria hesitou.
Madalena explicou que Avó Guida era conhecida por pessoas que procuravam soluções tradicionais para problemas familiares.
— Dizem que ela resolve casos difíceis — contou.
Maria respirou fundo.
— Quero o meu marido de volta.
— Tens a certeza?
— Tenho.
No dia seguinte, antes do amanhecer, Maria dirigiu-se à casa de Avó Guida.
Era uma pequena palhota afastada.
Quando chegou, ouviu:
— Nguena, mwananga. A kaya yi kola.
Maria entrou.
Avó Guida olhou para ela atentamente.
— Senta-te.
Maria explicou o que estava acontecendo.
Avó Guida fez perguntas sobre o marido e sobre a outra mulher.
Depois disse:
— O teu marido está envolvido com uma mulher mais jovem. Mas ainda existe uma ligação entre vocês.
Maria agarrou-se àquelas palavras.
— Pode ajudá-lo a voltar?
— Existe uma maneira.
Maria ficou esperançosa.
Avó Guida explicou que precisaria de alguns objetos pessoais de António e de dinheiro para realizar o trabalho.
Falou também num valor elevado.
Maria ficou assustada quando ouviu:
— Vinte mil meticais.
Era muito dinheiro.
Mas Maria estava desesperada.
— Eu vou conseguir.
Antes de sair, recebeu instruções gerais sobre aquilo que deveria trazer.
Maria voltou para casa com uma única coisa na cabeça:
António tinha de voltar para ela.
Naquele momento, ela ainda não percebia que, ao procurar controlar o marido por meios que contrariavam a sua fé, estava a afastar-se cada vez mais dos princípios que um dia defendera.
CAPÍTULO IV
A OUTRA
Maria precisava de dinheiro.
Ligou para a madrinha.
— Madrinha, preciso de ajuda.
— Para quê?
Maria hesitou.
Não contou a verdade.
Disse que precisava comprar alguns móveis que seriam trazidos da África do Sul e que devolveria o dinheiro através do xitiqui.
A madrinha acreditou.
Enviou-lhe o dinheiro através do e-Mola.
Maria recebeu.
Mas não estava a comprar móveis.
Estava a preparar-se para uma batalha que acreditava poder vencer através da vingança.
Enquanto isso, António estava cada vez mais distante.
Passava menos tempo em casa.
Katy ocupava cada vez mais espaço na sua vida.
Ela sabia que António era casado, mas acreditava que poderia conquistar definitivamente o lugar de Maria.
Começou a falar sobre futuro.
António também começou a pensar numa possibilidade que antes nunca tinha considerado seriamente:
levar Katy para conhecer a sua família em Gaza.
Um dia, ligou para casa.
— Vou viajar para Gaza por causa do trabalho.
Maria ouviu.
— Quando vais?
— Amanhã.
Ela preparou a mala dele.
Não sabia que estava a preparar a mala do homem que viajaria para apresentar outra mulher à família.
Em Gaza, a família recebeu António com alegria.
Quando perceberam que ele não estava sozinho, começaram as perguntas.
Katy foi apresentada.
Alguns familiares receberam-na com naturalidade.
Em determinados contextos tradicionais, a ideia de um homem ter mais de uma mulher ainda pode ser encarada por algumas pessoas como sinal de estatuto ou capacidade.
Mas nem todos concordaram.
Uma das cunhadas de António ficou profundamente incomodada.
Ela conhecia Maria e sabia que aquela situação lhe causaria sofrimento.
Por isso, decidiu telefonar-lhe.
— Maria, preciso contar-te uma coisa.
— O que foi?
— O António não veio sozinho.
Maria ficou em silêncio.
— Trouxe uma mulher.
O telefone quase caiu das mãos de Maria.
Ela não chorou.
Desta vez, sentiu raiva.
Uma raiva profunda.
Enquanto isso, Katy procurava conquistar a família.
Era simpática, conversava com todos e prometia ajudar no que pudesse.
Levou presentes e mostrou-se disponível.
A mãe de António começou a gostar dela.
Katy parecia saber exatamente como conquistar as pessoas.
Mas havia uma contradição dentro dela.
Apesar de frequentar uma igreja evangélica e falar sobre Deus, também acreditava que precisava recorrer a práticas tradicionais para garantir que António permanecesse ao seu lado.
No fundo, tanto Maria quanto Katy estavam procurando controlar uma situação que nenhuma delas conseguia controlar.
Uma buscava segurança.
A outra buscava estabilidade.
Uma tinha medo de perder o marido.
A outra tinha medo de voltar à pobreza.
E António, entre as duas, continuava fazendo escolhas.
O problema é que escolhas sempre produzem consequências.
Maria recebeu a notícia de Gaza e tomou uma decisão:
voltaria a procurar Avó Guida.
Desta vez, não queria apenas conselhos.
Queria uma solução definitiva.
CAPÍTULO V
O PLANO
Eram cinco horas da manhã de uma segunda-feira quando Maria voltou à casa de Avó Guida.
Levava consigo aquilo que havia sido solicitado anteriormente.
Também levava o dinheiro.
Entrou em silêncio.
Avó Guida recebeu-a.
— Voltaste.
— Sim.
— Trouxeste tudo?
Maria confirmou.
Avó Guida preparou o que considerava necessário para o trabalho.
Maria observava em silêncio.
Não fazia perguntas.
Na sua mente, só existia uma coisa:
António tinha de voltar para ela.
Avó Guida entregou-lhe uma preparação e orientou-a sobre como utilizá-la.
Maria guardou tudo cuidadosamente.
Não queria falhar.
No caminho de volta para casa, começou a pensar nos filhos.
Por alguns minutos, perguntou a si mesma:
“Será que estou fazendo a coisa certa?”
Mas a raiva rapidamente silenciou a dúvida.
Quando chegou a casa, começou a preparar tudo.
O dia passou.
António ainda não tinha regressado de Gaza.
Maria esperava.
Finalmente, ao final do dia, ouviu a porta abrir.
Era António.
Parecia cansado.
Maria respirou fundo.
Decidiu recebê-lo como se nada tivesse acontecido.
— Chegaste.
— Sim. Estou muito cansado.
Ela preparou o jantar.
As crianças correram para abraçá-lo.
António sentou-se com os filhos.
Por alguns minutos, a casa parecia novamente uma família normal.
Maria observava.
Por dentro, porém, travava uma batalha.
Queria perguntar sobre a outra mulher.
Queria gritar.
Queria chorar.
Mas ficou calada.
Depois do jantar, António sentou-se no sofá.
Ligou a televisão.
As notícias começaram.
Pouco tempo depois, o cansaço venceu-o.
Adormeceu.
Maria ficou olhando para ele.
Era o homem com quem tinha construído uma família.
O mesmo homem que agora dividia o coração entre duas mulheres.
Maria levantou-se.
Foi até à cozinha.
Olhou para aquilo que havia preparado.
Seu coração acelerou.
Ela acreditava que aquele era o momento de recuperar o marido.
Voltou à sala.
António continuava dormindo.
Maria esperou.
Quando ele acordou, chamou os filhos.
— Quero comer mais um pouco.
Um dos filhos foi até à cozinha.
— Papá, queres aquele prato que a mamã preparou?
António respondeu:
— Não. Tira da panela.
Maria ficou imóvel.
O plano que ela havia preparado não aconteceria da maneira que imaginara.
Ela observou o filho voltar à cozinha.
Pela primeira vez, percebeu que talvez não tivesse controle sobre o que estava acontecendo.
António comeu da panela.
Maria ficou em silêncio.
Naquela noite, enquanto todos dormiam, ela permaneceu acordada.
O seu plano tinha falhado.
Mas a guerra dentro dela estava apenas começando.
E talvez a verdadeira sentença ainda não fosse para a outra mulher.
Talvez fosse para todos aqueles que, de alguma forma, haviam permitido que a dor, a mentira, a traição e a vingança entrassem naquela família.
CONTINUA...
sábado, 18 de abril de 2020
VENÇA O MEDO E VIVA FELIZ
DEDICATÓRIA
Dedico este livro a todas as pessoas que, em algum momento da vida, sentiram medo, insegurança, ansiedade ou pensaram que não conseguiriam continuar.
Dedico-o, de forma especial, à memória da minha querida irmã Edith, cuja vida, coragem, força e amor deixaram uma marca profunda em mim.
A sua partida ensinou-me que a vida é preciosa, que não devemos permanecer presos à zona de conforto e que, mesmo diante da dor, precisamos encontrar forças para continuar.
Dedico também esta obra a todos aqueles que enfrentam momentos difíceis em silêncio.
Que estas palavras possam lembrar-lhe que você não está sozinho, que existe esperança e que, com fé, coragem e determinação, é possível levantar-se e continuar.
Não permita que o medo determine o seu futuro.
INTRODUÇÃO
Algumas pessoas têm medo de baratas 🪳, outras têm medo do escuro, de sons estranhos na calada da noite ou até mesmo da morte.
Com certeza, você já ouviu muitas histórias acerca do medo. Porém, neste livro quero apresentar uma reflexão diferente, baseada não apenas em conceitos, mas também numa experiência pessoal que marcou profundamente a minha vida.
Preste atenção em cada detalhe. Talvez, ao ler estas páginas, você consiga compreender melhor alguns dos seus próprios medos e descobrir que é possível enfrentá-los.
O medo pode aparecer quando nos deparamos com situações estressantes, complexas ou inesperadas. Todos nós, em algum momento, podemos sentir medo.
Eu também já senti muito medo.
Houve um momento em que pensei que fosse o fim. Tive medo de seguir em frente e de enfrentar o futuro.
Foi justamente através de uma das experiências mais dolorosas da minha vida que comecei a compreender muitas coisas sobre o medo.
CAPÍTULO 1
O QUE É O MEDO?
O medo é um estado emocional que surge quando tomamos consciência de uma situação que consideramos perigosa ou ameaçadora.
Muitas vezes, antes ou juntamente com o medo, surge a ansiedade: um sentimento desagradável relacionado à expectativa de que algo possa acontecer.
Na vida, deparamo-nos com situações que podem despertar medo. Algumas são pequenas, outras são tão profundas que podem transformar completamente a nossa maneira de pensar e de enxergar a vida.
Foi isso que aconteceu comigo.
CAPÍTULO 2
QUANDO O MEDO ENTROU NA MINHA VIDA
Tudo começou quando perdi a minha irmã mais velha, a mana Edith, de quem eu gostava muito.
Ela era uma fonte de inspiração para mim pela sua coragem e bravura. Era bastante forte e, acima de tudo, ousada e humilde.
A sabedoria que tinha na resolução de conflitos era admirável. A força que carregava para enfrentar as adversidades da vida fazia com que eu a admirasse ainda mais.
Apesar de ser minha irmã mais velha, nunca se mostrou competitiva. Ela compreendia que a minha vitória também era a sua vitória.
Por isso, dava-me força em tudo o que eu fazia, principalmente na minha formação profissional, pois considerava que esse era um caminho importante para eu singrar na vida.
Ela acreditava que eu podia dar certo.
O seu excesso de zelo, algumas vezes, fazia com que eu permanecesse numa zona de conforto.
Era uma daquelas irmãs com quem nos sentimos à vontade para dizer o que pensamos e sentimos, sem medo de represálias ou de sermos incompreendidos.
Quando existe amor entre as pessoas, não é necessário procurar sempre as palavras certas. Mesmo quando existe uma situação desagradável ou desafiadora, é possível manter uma comunicação saudável.
Eu estava tão aconchegada à sua presença que pensei que ela viveria para sempre.
Pensava que ela estaria sempre por perto para me levantar diante das quedas e das adversidades da vida.
Mas, de repente, tudo mudou.
A cortina se fechou e deu lugar a uma realidade dura e cruel.
CAPÍTULO 3
A CHAMADA QUE MUDOU TUDO
Era um dia como tantos outros.
Acordei e fiz os meus trabalhos de casa. De repente, o meu celular tocou.
Pensei que fosse apenas mais uma chamada.
O que eu não sabia era que aquela chamada colocaria fim a uma esperança que eu guardava a sete chaves.
Quando olhei para o celular 📱, vi que era um número desconhecido, com o indicativo da África do Sul.
A voz não era familiar. A pessoa cumprimentou-me educadamente e perguntou se eu estava bem.
Respondi que sim.
Então, com uma voz diferente e trémula, disse:
“A sua irmã Edith perdeu a vida.”
Fiquei alguns segundos tentando compreender se tinha ouvido corretamente.
A pessoa do outro lado da linha explicou que tinha acontecido um acidente de carro e que a minha irmã havia perdido a vida no local.
Tentei fazer mais perguntas para entender melhor o que tinha acontecido, mas a chamada caiu.
Informei a minha mãe e continuei com os meus afazeres.
Eu não queria acreditar.
Era uma verdade demasiado dura para conseguir digerir naquele momento.
Quando saí para fora, vi pessoas entrando em nossa casa para prestar condolências. A minha mãe estava inconsolável.
Os meus irmãos, preocupados, tentavam voltar a ligar para aquele número em busca de mais informações.
Ganhei uma força que nem sei de onde veio para acalmar a minha mãe, que chorava copiosamente.
Por quê?
Porque eu ainda não acreditava no que tinha acontecido.
CAPÍTULO 4
QUANDO A FICHA CAIU
Preste atenção a um aspecto importante.
Todos estavam agitados, angustiados e inconformados com a situação, enquanto eu permanecia aparentemente calma.
Sabe por quê?
Porque a ficha ainda não tinha caído.
Eu ainda não tinha aceitado aquela informação como verdadeira.
Para mim, havia algum erro na informação.
A qualquer momento, eu acreditava que a minha irmã poderia ligar para dizer que tudo não passava de uma confusão.
O meu coração dizia:
“Calma, vai ficar tudo bem. Ela vai ligar.”
A cada minuto, eu ficava na expectativa de receber uma informação diferente.
Enquanto não aceitava a informação como verdadeira, eu conseguia permanecer tranquila.
Dias depois, preparou-se o funeral.
Quando chegou o momento do velório, a ficha caiu.
Todos os sentimentos vieram à tona:
medo, raiva, angústia e ansiedade.
Chorei tanto. 😭
Ao ver o caixão, desapareceram as expectativas de receber aquela chamada.
A dor tomou conta de mim.
Senti uma angústia que nunca antes tinha sentido em toda a minha vida.
Eu estava inconsolável.
Algumas pessoas ficaram preocupadas porque aquela pessoa que parecia muito forte tinha-se tornado bastante frágil.
Quando o caixão desceu à cova, todas as expectativas ficaram para trás.
Naquele momento, eu precisava aceitar uma realidade que não queria aceitar.
CAPÍTULO 5
O MEDO DO FUTURO
Quando chegou a noite, não conseguia dormir.
Várias coisas vinham à minha consciência.
Foi daí que surgiu um sentimento de insegurança em relação à própria vida.
Percebi que a vida, afinal, é como um sopro.
Tinha chegado o fim da vida para a minha irmã.
E agora?
Como continuaria a minha vida sem ela?
Eu precisava escolher.
Poderia permanecer fechada naquela dor durante toda a minha vida ou aceitar a situação e seguir em frente.
Foi então que percebi que precisava levantar-me, assumir responsabilidades e sair da minha zona de conforto.
CAPÍTULO 6
DEUS NO MEIO DA DOR
A Bíblia Sagrada, no livro de Romanos 12:12, afirma:
“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração.”
O único consolo que me restava era acreditar nas promessas do Senhor e na esperança da ressurreição dos mortos.
Foi então que aprendi a orar e a buscar respostas em Deus.
Enquanto procurava forças para continuar, encontrei uma palavra que falou profundamente ao meu coração:
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”
— Isaías 41:10
Essas palavras lembraram-me de que eu não estava sozinha.
Deus continuava comigo mesmo no meio da dor.
CAPÍTULO 7
HÁ UM TEMPO PARA TODAS AS COISAS
Precisamos entender que existem coisas na vida que não podemos controlar.
Eclesiastes 3:1-2 ensina que existe tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou.
Havia chegado o tempo da minha irmã partir.
Eu precisava aceitar essa realidade e continuar acreditando nas promessas de Deus para a minha vida.
Precisava levantar-me, assumir a responsabilidade pela minha vida e sair da zona de conforto.
CAPÍTULO 8
É POSSÍVEL VENCER O MEDO
Querido leitor, espero que tenha acompanhado atentamente a situação que acabei de relatar.
O medo pode tomar conta de nós quando permitimos que determinada situação domine os nossos pensamentos.
Muitas pessoas procuram-me desesperadas porque não conseguem controlar a si mesmas. Têm medo do futuro, medo do escuro, medo de baratas e medo de tantas outras situações.
Mas quero mostrar-lhe, através desta reflexão, que é possível libertar-se do domínio do medo.
Não permita que o medo seja maior do que a sua capacidade de continuar.
A Palavra de Deus, em Filipenses 4:6, ensina:
“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças.”
Quando a ansiedade e o medo surgirem, aprenda a entregar as suas preocupações a Deus.
CAPÍTULO 9
NÃO TEMAS
Alguém um dia disse:
“Se as pessoas não sentissem medo, não viveriam por muito tempo.”
Mas acredito que o medo, quando passa a dominar a nossa mente, pode impedir-nos de viver plenamente.
O medo do futuro pode levar uma pessoa ao desespero.
A vergonha pode fazer com que alguém se afaste das outras pessoas.
O medo do julgamento pode fazer com que uma pessoa tome decisões que mais tarde poderá lamentar.
Por isso, não permita que o medo governe a sua vida.
Não temas.
Acredite que as situações difíceis também passam.
A dor passa.
Quem está sem trabalho pode encontrar uma nova oportunidade.
Uma situação difícil pode transformar-se numa oportunidade de crescimento.
Se o seu casamento chegou ao fim, isso pode representar uma oportunidade para reconstruir a sua vida e encontrar um novo caminho.
Não permita que o momento presente determine toda a sua história.
CAPÍTULO 10
ENTREGUE AS SUAS PREOCUPAÇÕES A DEUS
É importante crer que Deus existe e que Ele cuida das nossas ansiedades e preocupações.
Mateus 11:28 diz:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”
Jesus chama os cansados e oprimidos para encontrar descanso.
Você é importante para Deus.
Ele formou você para um propósito específico.
Jeremias 29:11 declara:
“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.”
Existe esperança para a sua vida.
CAPÍTULO 11
MUDE OS SEUS PENSAMENTOS
É importante aceitar os seus medos e compreender aquilo que acontece dentro da sua mente.
A aceitação é importante para enfrentarmos as situações da vida.
Cultive pensamentos positivos.
Isso poderá ajudá-lo a viver com mais paz consigo mesmo.
Mude os seus pensamentos.
Romanos 12:2 ensina:
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”
Aceite transformar pensamentos negativos em pensamentos positivos.
Você pode vencer.
Mas também precisa aprender a mudar a maneira como olha para as situações da sua vida.
Nem tudo aquilo que acontece hoje determinará o seu amanhã.
CAPÍTULO 12
LEMBRE-SE DAS SUAS VITÓRIAS
Sempre que algo negativo acontecer na sua vida, lembre-se também daquilo que já deu certo.
Lembre-se do dia da sua graduação.
Lembre-se do nascimento do seu primeiro filho.
Lembre-se daquele momento em que foi aplaudido por ter vencido um desafio.
Lembre-se de todas as vezes em que conseguiu superar algo que parecia impossível.
Não permita que uma derrota apague todas as suas vitórias.
Você já venceu outras batalhas.
E pode vencer novamente.
CAPÍTULO 13
ERRAR FAZ PARTE DO CRESCIMENTO
Aceite que errar faz parte do crescimento.
Nem tudo sairá como planejamos.
Algumas coisas poderão dar errado, mas isso não significa que a sua vida acabou.
Quando errar, não permaneça preso ao erro.
Pergunte a si mesmo:
“O que posso aprender com esta situação?”
Use os seus erros como oportunidades para crescer, amadurecer e tornar-se uma pessoa melhor.
CAPÍTULO 14
TENHA OBJETIVOS
Tenha um objetivo e corra atrás dele.
Muitas vezes, vivemos sem metas e objetivos concretos para as nossas vidas.
Por isso, estabeleça metas tangíveis.
Tenha sonhos.
Faça planos.
Dê passos em direção ao que deseja alcançar.
Mesmo que alguma coisa dê errado, não se concentre apenas naquilo que não funcionou.
Levante-se e tente novamente.
CAPÍTULO 15
ACREDITE NA SUA CAPACIDADE
Acredite na sua capacidade.
Você é importante para Deus.
Mesmo que algumas pessoas não acreditem em você, não permita que isso determine o seu valor.
Deus acredita em você.
Tenha fé.
Você nasceu para vencer.
Não permita que o medo roube os sonhos que existem dentro de você.
Levante-se.
Continue.
Avance.
CONCLUSÃO
VENÇA O MEDO E VIVA FELIZ
O medo pode aparecer, mas não precisa governar a sua vida.
Você pode enfrentar a dor.
Pode superar as dificuldades.
Pode renovar os seus pensamentos.
Pode levantar-se e continuar caminhando.
Eu aprendi isso através de uma das experiências mais dolorosas da minha vida.
A perda da minha irmã Edith deixou uma ferida profunda, mas também me ensinou importantes lições.
Aprendi a buscar forças em Deus.
Aprendi a aceitar aquilo que não podia mudar.
Aprendi que precisava sair da minha zona de conforto.
E aprendi que, mesmo quando a vida nos coloca diante de situações que não compreendemos, ainda podemos escolher continuar.
Por isso, querido leitor, quero deixar uma mensagem no seu coração:
Não permita que o medo determine o seu futuro.
Acredite em Deus.
Acredite em si mesmo.
Tenha esperança.
Renove a sua mente.
Estabeleça objetivos.
Aprenda com os seus erros.
Valorize as suas vitórias.
Levante-se e siga em frente.
A vida continua.
Você ainda tem um propósito.
Você ainda tem sonhos para realizar.
Você ainda pode escrever uma nova história.
VENÇA O MEDO E VIVA FELIZ!
SOBRE A AUTORA
LIANDRA LANGA
Escritora, Palestrante e Mentora
Liandra Langa escreve e partilha mensagens de inspiração, fé, desenvolvimento pessoal e superação, procurando levar aos seus leitores palavras que despertem coragem, esperança e determinação.
Através das suas experiências e reflexões, procura incentivar cada pessoa a acreditar na sua capacidade, enfrentar os seus desafios e continuar avançando.
“Você nasceu para vencer.”
MENSAGEM FINAL
Não tenha medo de recomeçar.
Às vezes, aquilo que parece ser o fim pode ser apenas o início de uma nova etapa.
Tenha fé.
Tenha coragem.
Continue.
Você nasceu para vencer.
Liandra Langa
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Queremos Justiça ⚖️
quarta-feira, 6 de maio de 2015
QUEIMADAS DESCONTROLADAS COMO FACTOR IMPULSIONADOR DO AQUECIMENTO GLOBAL - estudo de caso de Changalane ano 2014-2015
RESUMO
INTRODUÇÃO
II. REVISÃO DA LITERATURA
2.4. Queimadas Descontroladas em Moçambique
2.5. Queimadas descontroladas & Aquecimento Global
3. Metodologias
7. BIBLIOGRAFIA
150 MIL VISUALIZAÇÕES - GRATIDÃO 🙏❤️
✨ 150 MIL VISUALIZAÇÕES! ✨ Queridos leitores 🎈🌺❤️ Hoje o meu coração está cheio de gratidão e emoção 💓! Chegámos às 150 mil visualizaçõe...
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